Google Play Store deleta 77 apps maliciosos que somavam 19 milhões de downloads

Tecnologia

A empresa de segurança na nuvem Zscaler analisou a Play Store e identificou novas técnicas de invasão e instalação de malwares, chegando a uma lista de 77 aplicativos maliciosos, muitos deles posando de ferramentas utilitárias ou de personalização. O número de downloads dos apps chegava a 19 milhões.

Grande parte dos malwares trazia uma versão do trojan de roubo de dados bancários Anatsa, que surgiu em 2020. A versão mais recente consegue detectar teclas digitadas para roubar senhas, ler e enviar SMS e ligações e possui ferramentas para evitar detecção.

Segundo a Zscaler, até 831 instituições foram afetadas em todo o mundo, de bancos comuns a operadores de criptomoedas. Após o relatório, a Google Play Store deletou os 77 aplicativos identificados.


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Malwares modernos na Google Play Store

A maioria dos aplicativos identificados (66%) era adware (que traz publicidade intrusiva), mas o malware mais comum é o chamado Joker, encontrado em 25% dos aplicativos analisados. Ele é capaz de ler e enviar mensagens de texto, tirar prints de tela, roubar listas de contatos e acessar informações do usuário, bem como cadastrá-los em serviços premium sem autorização.

Segundo o levantamento da Zscaler, a maioria dos malwares na Google Play Store são adware, que trazem propagandas intrusivas e que podem coletar dados, mas há perigos maiores (Imagem: Zscaler)
Segundo o levantamento da Zscaler, a maioria dos malwares na Google Play Store são adware, que trazem propagandas intrusivas e que podem coletar dados, mas há perigos maiores (Imagem: Zscaler)

Uma quantidade menor de apps era maskware, que se disfarça para evitar detecção. O perigo desse tipo de app é que, embora funcione como a propaganda, o malware em questão rouba credenciais e dados bancários, bem como informações sensíveis como localização e mensagens de texto. Também foi vista uma variante do malware Joker chamada Harly, que posa de aplicativo legítimo para baixar arquivos maliciosos, usando códigos escondidos para evitar detecção.

Uma característica das versões recentes do trojan Anatsa é a adaptação ao sistema da Play Store. O app usado para infecção se disfarça como um simples gerenciador de arquivos (chamado “Document Reader – File Manager”), e, apesar de funcionar, ele baixa o Anatsa depois da instalação, evitando a revisão de seu código pela Google. Cada parte do código é baixada com chaves de criptografia (DES) diferentes, com o nome sendo modificado com frequência, tudo para evitar a detecção.

O sistema ainda usa arquivos corrompidos, com sinalização de compressão e criptografia inválidos, para que antivírus tenham mais dificuldade de notar sua presença. O Anatsa abusa de permissões de acessibilidade para ter acesso completo ao celular, enganado o usuário desde o download.

Para se proteger, o ideal é ter o serviço Play Protect ativado, que identifica apps maliciosos e os elimina a partir das análises da Google, mas também prestar atenção nos aplicativos que são baixados — só confie em publicadores com reputação, leia reviews de usuários e só dê permissões relacionadas à função principal do app.

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