Cientistas desenvolvem IA inspirada no cérebro humano que supera o ChatGPT

Tecnologia

A empresa Sapient Intelligence desenvolveu um novo modelo de inteligência artificial (IA) inspirado no cérebro humano, que apresentou desempenho superior a ferramentas como o ChatGPT em testes iniciais.

Batizado de Modelo de Raciocínio Hierárquico (HRM, na sigla em inglês), o sistema tem como base o processamento hierárquico em múltiplas escalas temporais do cérebro humano.

Com essa abordagem, a IA consegue realizar análises mais lentas e abstratas ao mesmo tempo em que executa raciocínios rápidos e detalhados. Segundo a companhia sediada em Singapura, essa dinâmica é possível graças ao que chama de “pensamento automático” e “raciocínio deliberado”.


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Na prática, isso significa que o modelo é capaz de resolver tarefas de raciocínio sequencial de forma mais natural, sem precisar passar por etapas intermediárias simplificadas. O HRM também pode refinar soluções conforme interage com as demandas apresentadas.

Já os modelos de linguagem de grande porte (LLMs) mais avançados utilizam o chamado raciocínio por cadeia de pensamento (Chain of Thought, ou CoT). Nesse caso, problemas complexos são decompostos em várias fases intermediárias mais fáceis de interpretar, não deixando o processo de raciocínio tão natural.

Menor número de parâmetros utilizados

Segundo os pesquisadores da Sapient, uma das principais diferenças entre o HRM e os LLMs atuais é que o novo modelo precisa de menos parâmetros e exemplos de treinamento para alcançar melhor desempenho.

Enquanto o HRM possui 27 milhões de parâmetros e foi treinado com mil amostras, os LLMs mais avançados chegam a ter trilhões de parâmetros. Estimativas sugerem, por exemplo, que o GPT-5, da OpenAI, tenha entre 3 e 5 trilhões de parâmetros.

Essas diferenças foram colocadas à prova no benchmark ARC-AGI, que mede a proximidade de novos modelos com a chamada inteligência artificial geral (AGI).

No ARC-AGI-1, o HRM alcançou 40,3%. Para efeito de comparação: o o3-mini-high, da OpenAI, teve 34,5%; o Claude 3.7, da Anthropic, marcou 21,2%; e o DeepSeek R1 ficou em 15,8%.

No teste mais rigoroso, o ARC-AGI-2, o HRM obteve 5%, contra 3% do o3-mini-high, 1,3% do DeepSeek R1 e 0,9% do Claude 3.7.

Inteligência artificial
HRM superou diversas ferramentas de IA em no teste benchmark ARC-AGI (Solen Feyissa/Unsplash)

Inteligência além do nível humano

Segundo Guan Wang, fundador e CEO da Sapient Intelligence, o objetivo da empresa é criar máquinas com inteligência de nível humano e, eventualmente, superior à do cérebro humano.

“Na Sapient, estamos começando do zero com uma arquitetura inspirada no cérebro, porque a natureza já passou bilhões de anos aperfeiçoando-o. Nosso modelo realmente pensa e raciocina como uma pessoa, não apenas calcula probabilidades para superar benchmarks. Acreditamos que ele alcançará e, em seguida, superará a inteligência humana — e é aí que a conversa sobre AGI se torna real”, afirmou Wang em comunicado.

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