“Musk brasileiro” revela planos da Lecar para o país — e eles são bem estranhos

Tecnologia

Flávio Figueiredo Assis, o Elon Musk brasileiro”, fundador e proprietário da Lecar, parece ter mais semelhanças com o CEO da Tesla do que simplesmente o fato de ser empreendedor de uma fabricante de carros eletrificados.

Em live realizada na última quarta-feira (27), o empresário revelou parte dos planos da Lecar para o mercado brasileiro e, ao contrário do que vinha afirmando anteriormente, eles não são tão claros assim — e estão cheios de pontos “esquisitos”.

Depois de afirmar que daria início à produção de carros como o Lecar 459 e a picape Lecar Campo já em 2026, na fábrica do Espírito Santo, e que estaria interessado em comprar a planta inativa da Chery, em Jacareí, o “Musk brasileiro” resolveu “pisar no freio”.


Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.

Segundo o executivo, o cronograma está atrasado e, por isso, as primeiras unidades do SUV coupé híbridoserão entregues aos interessados (que já passam de 5 mil, de acordo com a marca), “se houver a aquisição da fábrica de Jacareí”. O motivo? A planta em Sooretama, no Espírito Santo, por enquanto só existe em projeções holográficas.

Quem comprar uma Lecar Campo terá que esperar, no mínimo, dois anos para levar a picape para casa (Imagem: Divulgação/Lecar)

Modelo de negócio “estilo Tesla ou Porsche”

O “Musk brasileiro” também parece estar mudando o rumo do negócio no que diz respeito às concessionárias. Após abrir a primeira unidade, em São Caetano do Sul, apenas com um mockup do 459, o CEO da Lecar revelou que “não pretende usar o sistema tradicional de lojas”.

Na live realizada recentemente, o empresário afirmou que quer “seguir o estilo Tesla ou Porsche”. Segundo ele, basta ao interessado em vender os carros da Lecar pagar um determinado valor em dinheiro e “ter um ponto comercial”. Não será necessário ter, efetivamente, unidades dos modelos em exibição no local.

Flávio explicou que, com um investimento de R$ 15 mil, o interessado terá direito de adquirir materiais da marca para exibir, mas, se desejar um modelo para exposição, precisará investir bem mais; cerca de R$ 200 mil. Sobre as garantias aos investidores, “Musk” pouco falou: apenas pediu “confiança” e afirmou haver “forças ocultas jogando contra”, mas cravou que “os vendedores terão dinheiro garantido”.

Outro ponto “estranho” está no prazo para entrega dos carros. De acordo com o CEO da Lecar, todos os modelos serão vendidos exclusivamente pelo sistema batizado de “compra programada”. O problema é que os pagamentos são feitos por boletos (48, 60 ou 72 vezes) e o carro só será entregue após quitação de metade das parcelas. Isso significa que o cliente terá que esperar no mínimo 2 anos para rodar com seu “Tesla brasileiro”.

Leia também:

Vídeo: Tesla do Século Passado: Os Táxis Elétricos de Nova York e Londres em 1897

Leia a matéria no Canaltech.