Estados Unidos devem ser a principal prioridade da agenda externa do próximo governo brasileiro, aponta Pesquisa Amcham

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Levantamento ouviu 732 líderes empresariais de diversos setores da economia

Da Redação (*)

Brasília – A relação com os Estados Unidos desponta como a principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, na avaliação de líderes empresariais ouvidos pela Pesquisa Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30), durante evento realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.

Quando questionados sobre as prioridades da política externa e comercial do próximo governo, os empresários apontam a relação com os Estados Unidos como o principal eixo estratégico, à frente de outros temas da agenda internacional.

As prioridades mais citadas foram:

  • Relação com os Estados Unidos (53%)
  • Atração de investimentos estrangeiros (46%)
  • Novos acordos de comércio (44%)
  • Acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%)

“O empresariado associa cada vez mais a agenda externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos aparece como prioridade por envolver a maior economia do mundo, a principal origem de investimentos estrangeiros no Brasil e um alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar de estratégica, a relação com os Estados Unidos ainda é percebida como desafiadora por 44% dos empresários. Outros 38% avaliam o cenário como neutro, enquanto apenas 14% consideram o ambiente bilateral favorável.

Principais obstáculos para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos

As tarifas seguem sendo apontadas como o principal obstáculo para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos empresários. Trata-se de um fator que continua retirando competitividade dos produtos brasileiros e que reforça a necessidade de se avançar em um entendimento bilateral, especialmente em um momento de melhora no ambiente de diálogo e nas relações políticas entre os dois países.

Além disso, os empresários mencionam a taxa de câmbio (33%) e as barreiras não tarifárias (29%) como elementos que ampliam a complexidade do acesso ao mercado americano. Também aparecem desafios ligados à atuação das empresas, como escala e competitividade (25%), concorrência local (22%) e conhecimento do mercado dos Estados Unidos (20%).

Agenda Brasil–EUA: prioridades nas negociações

A pesquisa também identificou os temas que, na visão do setor privado, devem ser priorizados nas negociações atuais com os Estados Unidos:

  • Redução de barreiras comerciais (58%)
  • Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%)
  • Combate ao crime organizado transnacional (42%)
  • Parcerias em investimentos (42%)
  • Minerais críticos e terras raras (36%)
  • Acordo para evitar a dupla tributação (35%)

Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano, destaca Abrão Neto.

O levantamento reúne a percepção do empresariado brasileiro sobre as eleições presidenciais de 2026, o ambiente de negócios e as agendas estratégicas que devem orientar o próximo ciclo de governo, com destaque para política externa, comércio e investimentos.

Eleições 2026: cautela e foco em economia e segurança

No plano doméstico, os empresários indicam como prioridades para o próximo presidente da República o equilíbrio fiscal (83%), o combate à corrupção (43%), a segurança pública (40%) e a redução das taxas de juros (37%).

O cenário eleitoral é percebido com cautela: 39% dos empresários classificam o cenário como neutro, enquanto 31% se dizem pessimistas e 16% otimistas em relação às eleições de 2026. Além disso, 9% se declaram muito pessimistas, 2% muito otimistas e 3% não souberam avaliar. O dado reflete a combinação de incerteza política, preocupação com a governabilidade e expectativas quanto à condução da agenda econômica no próximo mandato.

Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano, destaca Abrão Neto.

Perspectivas empresariais

A Pesquisa Amcham mostra que o empresariado mantém uma expectativa de crescimento em 2026. 84% das empresas projetam aumento de faturamento, sendo que 45% trabalham com a perspectiva de expansão superior a 11%. Menos de 3% anteveem retração de receitas.

Na avaliação dos empresários, esse crescimento tende a ser resultado de decisões concretas de negócio. Ele deve vir principalmente do aumento de vendas no mercado interno (65%), da redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e de investimentos em transformação digital e inteligência artificial (38%).

Em relação ao ambiente de negócios durante o próximo governo (2027-2030), as percepções estão relativamente equilibradas: 35% dos empresários acreditam em melhora da economia e do ambiente de negócios, 26% projetam estabilidade e 25% esperam piora. Outros 14% não souberam avaliar.

“O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade e ao uso de tecnologia, além da importância de previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

(*) Com informações da Amcham

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