
O TikTok nos Estados Unidos enfrentou dias de instabilidade severa cerca de uma semana após a conclusão de sua migração de propriedade para um grupo de investidores norte-americanos. A mudança, forçada pela legislação do “banimento ou venda”, resultou em falhas de upload e acesso para milhões de usuários na última semana de janeiro.
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Durante o período de quedas, diversos usuários e celebridades dos EUA também acusaram o TikTok de censurar vídeos com opiniões contrárias ao ICE (agência de imigração) e ao presidente Donald Trump.
O Canaltech explica o que causou o apagão, o papel da Oracle na nova infraestrutura e por que o Brasil passou ileso por essa crise.
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A queda do TikTok nos EUA
A instabilidade começou dias após a oficialização da “TikTok USDS Joint Venture”, nova entidade controlada majoritariamente por empresas dos EUA, como a Oracle e o fundo Silver Lake, criada para evitar o banimento do app no país.
Usuários relataram impossibilidade de postar vídeos, quedas no alcance — como vídeos com zero curtidas apesar do perfil ter milhares de seguidores — e falhas no carregamento do feed.
A versão oficial da empresa atribuiu as falhas a uma queda de energia em data centers da Oracle, causada por uma tempestade de inverno histórica que atingiu os Estados Unidos. No entanto, a coincidência com a migração de dados e a mudança de gestão levantou suspeitas sobre a fragilidade da nova infraestrutura segregada.
Censura ou falha técnica?
O apagão coincidiu com protestos políticos nos EUA, o que gerou teorias de que a nova gestão estaria testando filtros de moderação ou “shadowban” em conteúdos críticos ao governo.
Após a morte de Alex Pretti, de 37 anos, por agentes de imigração dos EUA, usuários no X (antigo Twitter) e figuras públicas do país como o senador Scott Wiener, a cantora Billie Eilish e a comediante Meg Stalter acusaram o TikTok de boicotar vídeos que falassem sobre o tema.
Além destes, o governador da Califórnia, Gavin Newson, também acusou o app de censura, e afirmou no dia 27 do último mês que sua administração investigaria se o TikTok censurou vídeos críticos à Trump e seus apoiadores.
Apesar das acusações, a Oracle e a nova joint venture mantiveram a posição de que os problemas foram estritamente técnicos, decorrentes da falha elétrica e da complexidade de operar o app em servidores 100% americanos, separados da infraestrutura global da ByteDance.

Por que o Brasil não foi afetado?
A instabilidade foi restrita aos Estados Unidos porque a operação brasileira do TikTok segue sob o guarda-chuva global da ByteDance.
A infraestrutura que atende o Brasil não passa pelos servidores da “TikTok USDS”, que foi desenhada especificamente para isolar os dados dos cidadãos norte-americanos por questões de segurança nacional dos EUA.
Por aqui, o aplicativo continua utilizando sua rede de distribuição de conteúdo (CDN) padrão e servidores globais, sem as restrições ou a migração forçada que ocorreu no hemisfério norte.
O futuro do app
Apesar do restabelecimento do serviço, o episódio expôs os desafios de “nacionalizar” uma plataforma global. A nova versão americana do TikTok pode enfrentar, no curto prazo, uma experiência de usuário degradada enquanto o algoritmo é recalibrado para rodar exclusivamente em infraestrutura local.
Além disso, a nova política de privacidade implementada pelos donos norte-americanos, que permite maior coleta de dados de localização, já gera atrito com a base de usuários.
Segundo reportagem do The Guardian neste domingo (1º) diversos usuários estão repensando a relação com o TikTok após a mudança de dono e atualizações de privacidade.
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