Narrativas de medo sobre IA são imorais e freiam inovação, diz expert

Tecnologia

O futurista e inventor Pablos Holman defendeu uma mudança na narrativa global sobre inteligência artificial durante a abertura da 3DEXPERIENCE World 2026, realizada nesta segunda-feira (2) em Houston, nos Estados Unidos. Segundo o especialista, a indústria do entretenimento e a cultura pop condicionam a sociedade a temer avanços tecnológicos, o que pode atrasar soluções para problemas globais críticos.

Holman é autor do livro “Deep Future” e possui mais de 70 patentes registradas. Em sua carreira, atuou no laboratório Intellectual Ventures, onde colaborou com Bill Gates em projetos de erradicação da malária, e foi um dos primeiros funcionários da Blue Origin, empresa aeroespacial de Jeff Bezos.

O Canaltech viajou a Houston a convite da Dassault Systèmes.


Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.

Impacto das narrativas de ficção

Durante sua apresentação, Holman argumentou que o cérebro humano é evolutivamente otimizado para identificar ameaças, uma característica explorada comercialmente por estúdios de cinema e mídia. Para o inventor, essa dinâmica cria uma barreira cultural injustificada contra novas ferramentas.

“Hollywood está ocupada criando histórias assustadoras porque histórias assustadoras vendem”, afirmou Holman.

Ele ressaltou que, embora o imaginário popular associe a IA a cenários apocalípticos, os dados atuais não sustentam essa visão. “A contagem de mortes por IA está oscilando em torno de zero agora. E nós assustamos todas as nossas crianças com essas histórias.”

Para Holman, a propagação dessas distopias não é apenas contraproducente, mas eticamente condenável. “Acho que é imoral. As pessoas que fazem isso com a IA agora se tornaram mercenárias. Elas criaram uma história assustadora e estão aterrorizando a todos”, disparou o especialista.

Pablos Holman no palco do evento 3D Experience em fevereiro de 2026
Futurista defende um olhar mais otimista sobre as possibilidades da IA e o fim das narrativas de medo (Imagem: Divulgação/Dassault Systémes)

O futurista utilizou o histórico da energia nuclear como comparativo. Segundo ele, a sociedade conflitou a tecnologia de reatores com a de armamentos bélicos na metade do século passado, o que resultou em décadas de atraso na adoção de uma fonte de energia livre de carbono.

“Nós proibimos a tecnologia errada. Se tivéssemos feito o contrário, nunca teríamos ouvido falar de aquecimento global”, disse Holman, alertando para o risco de a sociedade cometer o mesmo erro com a regulação e adoção da inteligência artificial.

IA aplicada à ciência e engenharia

A crítica de Holman se estende à forma como a tecnologia é utilizada atualmente pelo consumidor final. Ele diferencia a IA generativa focada em chatbots e criação de imagens — que chamou de “primeiro turno” da tecnologia — dos modelos computacionais voltados para engenharia e ciência.

Para o executivo, o foco deve sair da interação social com máquinas para a resolução de gargalos de infraestrutura, como o desenvolvimento de novos materiais, fusão nuclear e biologia computacional.

“Estamos usando IA para as coisas mais idiotas que conseguimos imaginar. Agora é hora de corrigir o curso. Agora estamos construindo IAs para a ciência e para a engenharia”, completou Holman.

Veja também:

Leia a matéria no Canaltech.