
A tecnologia vestível elevou suas apostas e trabalha cada vez mais com as perspectivas sensoriais do ser humano. Um bom exemplo disso são os óculos de realidade estendida (XR) capazes de nos colocar em outra dimensão. Não à toa o mercado de óculos inteligentes tem ganhado novos concorrentes e mirado em um futuro que atende às demandas pessoais e às áreas que vão desde saúde à educação. Um conjunto de avanços tecnológicos explica esse novo momento.
Se olharmos para os dispositivos que mais representam a tecnologia de realidade mista (MR) — Samsung Galaxy XR, Apple Vision Pro e Meta Quest 3 — fica claro perceber que a inteligência artificial permitiu agregar diversas funções a cada um deles. O elemento chave está no “entendimento” do contexto pela IA, segundo Murilo Zanini de Carvalho, professor de Inteligência Artificial e Computação do Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli).
“Isso se deve muito a nossa melhoria na capacidade de processamento de imagens, nossa melhoria na capacidade de processamento de voz também. Esses óculos já têm câmeras integradas que conseguem identificar objetos, e mais do que isso, buscar contexto”, afirma.
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O professor explica que a diferença entre as tecnologias é sensorial:
- Realidade Virtual (VR): transporta o usuário para outro mundo, privando-o da visão física real e oferecendo uma imersão total. Gerações passadas do headset da Meta, como o Meta Quest 2, eram focadas em VR com a ideia de viabilizar o metaverso.
- Realidade Aumentada (AR): mantém a visão do mundo físico e insere elementos digitais nele, o que segundo o professor, é o “pulo do gato”, pois permite que a pessoa continue interagindo com o ambiente e outras pessoas mesmo recebendo informações visuais e sonoras.
Óculos de realidade mista, que representam a união desses dois modelos, acabam ganhando ainda mais destaque por ampliar as possibilidades de uso e chegam com a proposta de complementar e até substituir as telas tradicionais, seja a do nosso celular, computador e até as TVs.
Da promessa à prática: quando os óculos inteligentes viram ferramenta
É comum vermos esse tipo de tecnologia em competições de games e até exposições que propõem imersão ao público. Mas, nos últimos anos, os óculos inteligentes já começam a ser ferramentas da medicina e da educação.
Alguns hospitais pelo Brasil adotaram a tecnologia dentro de centros cirúrgicos, principalmente em procedimentos de ortopedia. O dispositivo auxilia médicos a observarem informações importantes do paciente e até o alinhamento de próteses para garantir melhores resultados e reduzir o risco de erros.
Já na educação, a aplicação pode ir desde a experiência imersiva 3D no aprendizado de conceitos mais abstratos, seja da química ou da geografia, como também em treinamentos de capacitação. Como exemplo, o professor cita que estudantes da Inteli já participaram de um projeto em que utilizava realidade virtual para simular auditórios virtuais a fim de treinar a oratória de pessoas mais tímidas ou com mais dificuldades de falar em público.
Apesar disso, fatores como o custo elevado e os desafios de produção ainda são barreiras para que esses dispositivos se tornem mais populares. Processadores de última geração, telas curvas e a construção mais robusta justificam o preço caro dessa tecnologia.
Murilo acredita que a maior oportunidade de popularização está hoje nos “óculos que não precisam devolver um feedback visual”, como é o caso do Ray-Ban Meta, e focam no áudio. Esse recurso dá mais “naturalidade” em pesquisas com IA, por exemplo.
“A diferença é que esse óculos vai utilizar, por exemplo, uma tecnologia como condução óssea, ou mesmo um fone direcional e vai transmitir para mim esse tipo de processamento. (…) Essa forma de interação diferenciada é a grande aposta para conseguir colocar uma tecnologia que não necessariamente vai substituir [o celular], mas vai trazer uma forma diferente da gente utilizar, talvez trazer coisas de forma mais natural”, pontua.
Confira a entrevista na íntegra no Podcast do Canaltech:
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