Por que TVs e TV Box são as preferidas dos hackers?

Tecnologia

Diferente de um computador ou um celular, uma televisão é aquele tipo de aparelho que até esquecemos que está ligado na tomada ininterruptamente, 24 horas por dia. Conectada ao Wi-Fi, ela pode até estar no modo stand by, mas o processador segue ativo o tempo todo, e isso é o cenário perfeito para os hackers.

Acontece que, por estarem sempre ligadas e com rápido acesso à internet, as TVs se tornaram soldados perfeitos para a disseminação de ataques digitais, principalmente na criação de botnets para ataques DDoS. Um caso recente, por exemplo, surpreendeu especialistas por concentrar 200 milhões de solicitações maliciosas por segundo a partir do uso de TVs com sistema Android.

Mas por que televisores causam tanto problema nas mãos de agentes criminosos? O Canaltech explica a seguir.


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Por que o Android TV é o alvo perfeito?

Pare e pense: você alguma vez já pensou em instalar um antivírus na televisão com Android na sua casa? Considerando que ferramentas de segurança dificilmente são divulgadas para esse fim, voltando-se mais para celulares e computadores, é difícil imaginar que a maioria das pessoas tenha investido em um bom antivírus para a TV da sala.

TVs podem ser infectadas por malware durante ataques hackers (Imagem: Oscar Nord/Unsplash).

Em vista disso, TVs conectadas à internet se transformaram em um território sem lei, permitindo que hackers façam o que bem entender com as brechas de segurança encontradas pelo caminho. Eles também se aproveitam do fato de que as marcas, até mesmo as famosas, não costumam ter muito cuidado com as atualizações desses aparelhos, lançando correções por apenas 2 ou 3 anos para depois esquecê-las para sempre.

TVs Box genéricas, então, são ainda mais vulneráveis a ataques por contarem com versões antigas do Android, que viram um campo minado para violações de todos os tipos. Sem contar que a potência da cobertura de fibra óptica do Brasil é uma das maiores do mundo, o que significa que um hacker pode ter acesso a 300Mb ou 500Mb de banda larga para usar em um ataque.

O “paciente zero”: como a TV é infectada?

Você deve estar se perguntando a essa altura como uma televisão é infectada por um malware. Geralmente, essas contaminações vêm a partir de aplicativos de terceiros, como, por exemplo, a instalação de um app de streaming pirata que está fora da Google Play Store. Na grande maioria dos casos, as plataformas oferecem conteúdos gratuitos e ilimitados, tornando-se “atrativas” para as pessoas, mas escondem softwares maliciosos para corromper televisores.

Assim que o “brinde” comprometido infecta o aparelho, o hacker consegue escanear a rede do usuário, buscando portas abertas para concretizar a invasão. Caso o roteador não bloqueie o acesso, o criminoso entra no sistema para dar continuidade às ações ilegais.

Muitas vezes, o hacker nem precisa infectar a TV por conta própria: há casos de televisores fabricados na China que foram comercializados com backdoors embutidos diretamente na placa, iniciando uma cadeia de ataques extremamente nociva.

Com sistemas de segurança vulneráveis, TVs podem integrar botnets sem que o usuário saiba (Imagem: Reprodução/Security Week).

Como saber se minha TV virou zumbi?

Embora seja uma operação silenciosa, existem alguns sintomas que a televisão começa a apresentar quando é infectada por um software malicioso. Conheça os três principais sinais para ficar de olho:

  1. Lentidão em serviços de streaming: abriu a Netflix para assistir a série do momento e percebeu travamentos ou perdas de qualidade mesmo com uma internet rápida? Esse pode ser um sinal de zumbificação da sua TV, já que ataques de DDoS, por exemplo, usam a banda larga em segundo plano para promover operações maliciosas.
  2. Lentidão no menu: caso o sistema da TV esteja travando no momento de abertura dos aplicativos, vale ficar atento para uma possível infecção do televisor.
  3. Superaquecimento: se a caixa da TV Box ficar muito quente mesmo quando estiver desligada, pode ser um sinal claro de contaminação. Isso ocorre porque o processador deve estar sendo usado para mineração de criptomoedas ou promovendo ataques DDoS.
Lentidão e superaquecimento são sinais de que a TV foi infectada por malware (Imagem: XLab/Divulgação).

O que fazer para proteger a sua TV

Por mais que ataques a TVs pareçam coisas de outro mundo, é extremamente simples proteger os seus aparelhos contra invasões hackers. Confira como aplicar medidas preventivas na prática:

  1. Caso você tenha uma TV de marcas renomadas, como Samsung, LG, Sony ou TLC, uma dica de ouro é sempre manter o sistema atualizado. Se, por outro lado, o aparelho for antigo e não receber mais atualizações, lembre-se de desconectá-lo da internet ou investir em dispositivos novos.
  2. Para aqueles que possuem TVs Box genéricas, a recomendação é trocar o dispositivo por aparelhos homologados, como Roku, Fire TV, Apple TV e Google Chromecast. Caso não possa trocá-lo, instale aplicativos apenas da loja oficial ou coloque a TV Box na rede de visitantes do roteador, isolando-a do restante da casa.

Vale mencionar ainda que a ação contra hackers não parte somente dos usuários: fabricantes de TVs também compartilham essa responsabilidade com os clientes. Afinal, enquanto atualizações robustas e constantes não forem lançadas, os televisores continuarão sendo campos de batalhas para criminosos, que sempre estão evoluindo suas táticas para comprometer sistemas alheios para fins maliciosos.

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