
Resumo
- Elon Musk planeja construir uma fábrica de satélites na Lua com um “impulsionador de massa” para criar centros de dados em órbita.
- O projeto enfrenta desafios como a necessidade de suportar forças de aceleração superiores a 10 mil g e a logística de construção lunar.
- A fusão entre a xAI e a SpaceX visa utilizar a nave Starship para construir instalações lunares e aplicar algoritmos de IA na gestão da base.
O empresário Elon Musk, CEO da SpaceX e da xAI, parece ter um plano ambicioso, saído de livros de ficção: construir uma fábrica de satélites na superfície da Lua com uma catapulta gigantesca para lançar equipamentos ao espaço.
A proposta foi apresentada durante uma reunião interna com funcionários da xAI, cujos áudios foram obtidos e divulgados pelo jornal The New York Times nessa terça-feira (10/02). Segundo Musk, a infraestrutura lunar seria fundamental para viabilizar “centros de dados de inteligência artificial” em órbita.
A ideia seria aproveitar o vácuo do espaço para resfriamento e a energia solar ininterrupta para alimentação. O projeto marca uma virada brusca na estratégia do bilionário — até o início do ano passado, ele classificava a Lua como uma “distração” no caminho para Marte.
Como funcionaria isso?
O dispositivo mencionado por Musk é tecnicamente chamado de “impulsionador de massa”. Trata-se de um lançador eletromagnético projetado para propelir objetos ao espaço sem o uso de combustíveis químicos ou foguetes convencionais.
De acordo com o portal Engadget, essa catapulta seria integrada ao complexo industrial construído em solo lunar. A intenção seria fabricar satélites de IA localmente e lançá-los para a órbita lunar ou terrestre de forma muito mais barata. Embora a gravidade da Lua seja apenas 1/6 da terrestre, os desafios físicos para isso são imensos:
- Velocidade de escape: para atingir a órbita lunar, o satélite precisa ser lançado a pelo menos 6.115 km/h (Mach 5);
- Aceleração extrema: atualmente, tecnologias de canhões eletromagnéticos da Marinha dos EUA (os railguns) atingem Mach 8,8 (8,8 vezes a velocidade do som), conforme documentado pela Task and Purpose. No entanto, qualquer eletrônico lançado assim precisaria suportar forças de aceleração superiores a 10 mil g;
- Logística: construir uma fábrica dessas exige dezenas de missões tripuladas e não tripuladas.

Outro ponto controverso do plano é o uso do vácuo para resfriar os servidores de IA. Especialistas consultados pelo The Independent expressaram ceticismo: diferentemente da Terra, onde o calor se dissipa pelo ar (convecção), no vácuo a única forma de resfriamento é por radiação térmica. Isso exigiria radiadores de dimensões monumentais para evitar que os chips derretam sob carga intensa de processamento.
Para viabilizar a execução do plano, Musk confirmou recentemente a fusão operacional entre a xAI e a SpaceX. A união permitiria que a xAI utilizasse a logística da nave Starship para construir as instalações lunares, enquanto a SpaceX utilizaria os algoritmos da companhia de IA para gerenciar a base lunar.
Mudança de foco e incertezas
A fixação recente de Musk pela Lua é uma mudança de postura. Em 2025, ele afirmou no X (antigo Twitter) que a SpaceX iria “direto para Marte”.
No entanto, em postagens recentes, o CEO admitiu que criar uma “cidade autossustentável na Lua” é uma meta alcançável em menos de dez anos, enquanto Marte levaria pelo menos 20.
Vale lembrar que o histórico de previsões de Musk gera cautela. Em 2016, ele prometeu que a SpaceX enviaria missões de carga para Marte até 2018. Em 2017, previu o mesmo para 2022. Agora, em fevereiro de 2026, o foguete Starship está apenas realizando voos de teste.

