
Resumo
- O co-CEO da SMIC, Zhao Haijun, afirma que a indústria de semicondutores está em pânico devido à escassez de chips de memória.
- Os preços de memória RAM subiram até 90% no início de 2026, segundo a Counterpoint Research.
- A demanda por IA está canibalizando a oferta de componentes, afetando dispositivos como smartphones, enquanto a produção de DRAM para servidores não acompanha a demanda.
A indústria global de semicondutores entrou oficialmente em modo de crise. O co-CEO da Semiconductor Manufacturing International Corp. (SMIC), Zhao Haijun, afirma que o setor vive um estado de “pânico” provocado pela escassez severa de chips de memória.
Durante a última conferência de resultados, realizada em Hong Kong, o executivo explicou que a voracidade do setor de inteligência artificial por hardware está canibalizando a oferta de componentes para outras áreas. A SMIC, vale lembrar, é a maior fabricante de chips sob encomenda da China.
Segundo o executivo, o boom da IA comprimiu a disponibilidade de memórias para dispositivos populares, como smartphones de entrada e intermediários. O cenário atual, relatado pelo The Wall Street Journal, é agravado por um comportamento defensivo das empresas: temendo o desabastecimento, fabricantes estão inflacionando seus pedidos para tentar garantir estoques, gerando uma falsa percepção de demanda ainda maior.
Indústria mudou a prioridade

A crise de abastecimento é um reflexo da mudança de prioridades das “Três Gigantes” da memória: Samsung, SK Hynix e Micron. Juntas, elas controlam mais de 90% do mercado global.
Dados da consultoria Counterpoint Research revelam que os preços da memória RAM dispararam entre 80% e 90% neste início de 2026, em comparação com o final do ano passado.
O aumento foi puxado pela memória DRAM usada em servidores, indispensáveis para treinar e rodar grandes modelos de linguagem. Como a produção dessas empresas não conseguiu escalar na mesma velocidade da demanda por IA, o fornecimento para o mercado de PCs e smartphones acabou ficando em segundo plano.
A SMIC já reportou uma queda nas encomendas vindas de fabricantes de celulares de gama média e baixa, os mais sensíveis a flutuações de custo.
Quando a oferta de memória RAM deve melhorar?

A boa notícia é que há uma perspectiva de alívio no horizonte para o consumidor comum. A má é que ela não será imediata: a previsão da SMIC é que novas remessas de chips de memória RAM convencional cheguem primeiro aos fabricantes de eletrônicos de consumo, podendo equilibrar os estoques globais até o terceiro trimestre de 2026.
A empresa está orientando clientes a não serem tão pessimistas e a evitarem cortes drásticos em outros componentes. O risco, segundo Zhao, é que a memória volte ao mercado em nove meses e as empresas não tenham outros chips necessários para completar a montagem de seus produtos.
Apesar da turbulência no mercado de memórias, a SMIC vive um momento de expansão financeira. A companhia reportou uma receita recorde de US$ 9,32 bilhões em 2025 (cerca de R$ 48 bilhões), um crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. O lucro líquido também subiu 38,9%, atingindo US$ 685 milhões.
Esse desempenho é sustentado por um movimento de reestruturação da indústria na China, focado na localização da cadeia de suprimentos. Segundo a Nikkei Asia, desenvolvedores chineses de chips estão migrando em massa suas linhas de produção do exterior para fábricas locais.

