
Resumo
- Amazon prioriza o uso do assistente Kiro, desencorajando ferramentas externas como o Claude Code, mesmo sendo parceira da Anthropic.
- Funcionários demonstram insatisfação, com 1.500 apoiando formalmente o uso do Claude Code como ferramenta oficial.
- Engenheiros questionam a produtividade e qualidade do Kiro, afirmando que o Claude Code o supera em algumas tarefas.
A Amazon tem uma política interna que prioriza o uso de ferramentas próprias de inteligência artificial para programação. Para usar rivais, como o Claude Code, é preciso uma autorização formal. Mas essa situação tem gerado insatisfação entre os funcionários.
Segundo o Business Insider, que obteve mensagens internas, o impasse ficou mais evidente no segundo semestre do ano passado, quando a Amazon divulgou orientações para utilizar seu assistente Kiro.
A situação chama atenção porque a empresa de Jeff Bezos é uma das principais investidoras da Anthropic e também sua parceira estratégica, além de oferecer o Claude a clientes por meio do Bedrock, plataforma que reúne serviços de IA de terceiros.
O que aconteceu?
A Amazon divulgou orientações internas recomendando que equipes utilizassem o Kiro, seu assistente de programação próprio. A diretriz desencorajava o uso de ferramentas externas não aprovadas, incluindo o Claude Code, mesmo que o Kiro seja baseado nos modelos da Anthropic.
A empresa afirmou que a diferença está no fato de o Kiro operar com ferramentas desenvolvidas pela própria Amazon Web Services, o que facilitaria integração, controle e governança. Ainda assim, a decisão provocou reações negativas em fóruns internos. Em uma das discussões, cerca de 1.500 funcionários apoiaram formalmente a adoção do Claude Code como ferramenta oficial.
O desconforto foi ainda maior entre engenheiros envolvidos na venda do Bedrock. Alguns questionaram como poderiam recomendar o Claude aos clientes sem poder utilizá-lo livremente em seu próprio trabalho. Segundo o Business Insider, um dos funcionários escreveu: “Os clientes vão perguntar por que deveriam confiar ou usar uma ferramenta que não aprovamos para uso interno”.

Imposição corporativa?
As críticas não se limitaram ao aspecto comercial. Engenheiros também levantaram dúvidas sobre produtividade e qualidade técnica. Alguns afirmaram que o Claude Code apresenta desempenho superior ao Kiro em determinadas tarefas.
“Uma ferramenta que não consegue acompanhar os concorrentes não oferece inovação real”, escreveu um funcionário em fórum interno. “E sem vantagem competitiva, o único mecanismo de sobrevivência do Kiro passa a ser a adoção forçada, em vez do valor genuíno.”
Em resposta, um porta-voz da Amazon afirmou que a empresa observa “melhorias incríveis em eficiência e entrega” com o Kiro e que cerca de 70% dos engenheiros de software o utilizaram ao menos uma vez em janeiro.
A empresa disse ainda que não pretende apoiar novas ferramentas externas de desenvolvimento, embora mantenha um processo para exceções. No ano passado, em uma discussão similar, o CEO da AWS afirmou que substituir funcionários juniores por IA seria “burrice”.
Funcionários da Amazon rejeitam IA interna e preferem Claude, diz site

