
Resumo
- Mais de 80% das empresas não registraram ganho de produtividade com IA, segundo estudo do NBER com 6 mil executivos de EUA, Reino Unido, Alemanha e Austrália.
- 70% das empresas utilizam IA, mas de forma superficial; um terço dos executivos usa a tecnologia apenas 1,5 hora por semana.
- Executivos preveem que IA aumentará a produtividade em 1,4% e a produção em 0,8% nos próximos três anos, mas reduzirá empregos em 0,7%.
Apesar dos bilhões de dólares injetados no mercado de inteligência artificial nos últimos anos, as empresas ainda não se convenceram de que a eficiência da tecnologia é, de fato, tão revolucionária. Um novo estudo revelou que mais de 80% das companhias não registraram nenhum impacto na produtividade ou no nível de emprego devido ao uso de IA.
A pesquisa Firm Data on AI, publicada pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, entrevistou cerca de 6 mil executivos de empresas de diversos setores econômicos espalhadas em quatro regiões: EUA, Reino Unido, Alemanha e Austrália.
Qual o impacto da IA no trabalho?
Ao avaliar os últimos três anos, 89% dos gestores afirmaram que a IA não teve impacto na produtividade, definida pela métrica de vendas por funcionário. Da mesma forma, 90% relataram que a tecnologia não alterou o tamanho de seu quadro de trabalhadores. Na média geral, o ganho acumulado de produtividade entre todas as empresas foi de um modesto 0,29%.
Como destaca o portal Tom’s Hardware, 70% das empresas questionadas afirmam já utilizar a IA ativamente nas operações. No entanto, a integração é superficial: um terço dos próprios executivos relatou usar usá-la apenas 1,5 hora por semana, em média. Além disso, um quarto dos entrevistados admitiu ainda não utilizar a tecnologia de forma alguma.
A pesquisa da NBER não se aprofunda nos motivos pelos quais a IA avança tão lentamente no ambiente corporativo, mas outros levantamentos recentes nos dão uma noção. Um teste publicado em janeiro indica que os principais modelos de IA do mercado não se dão bem em determinadas áreas, acertando menos de um terço das tarefas.
Por outro lado, funcionários perceberam que o retrabalho aumentou com o uso de IA por colegas que não se dão o trabalho de revisar o conteúdo. A prática foi apelidada de “workslop“, ou “lixo de trabalho” gerado por IA.
Otimismo entre executivos
Apesar da falta de resultados no curto prazo, a pesquisa da NBER é otimista em relação ao futuro. Os executivos preveem que, nos próximos três anos, a IA impulsionará a produtividade geral em 1,4% e aumentará a produção em 0,8%. Entretanto, poderá reduzir o número de empregos em 0,7%.
Nos setores do mercado britânico, as maiores apostas de ganhos futuros de eficiência estão nas áreas de Informação e Comunicações (+2,8%) e Serviços Administrativos e de Suporte (+2,5%). Já as reduções no quadro de funcionários devem ser mais sentidas no Varejo e Atacado (-2,0%) e no setor de Acomodação e Alimentação (-1,8%).

Segundo o estudo, gestores dos Estados Unidos são os mais entusiasmados: eles projetam um ganho de 2,25% na produtividade e um corte de 1,19% nas vagas.
Curiosamente, há uma divergência de percepção dentro das próprias companhias norte-americanas, já que os funcionários esperam que a IA aumente o nível de emprego em 0,45% e traga ganhos de produtividade menores, na casa dos 0,9%.
Mais de 80% das empresas não viram ganho de produtividade com IA, diz pesquisa

