
Resumo
- O Projeto Silica da Microsoft Research usa vidro para armazenamento de dados, gravando terabytes em placas de vidro estáveis por milênios sem consumo de energia quando inativo.
- O sistema grava dados dentro do vidro usando lasers de femtossegundo, criando voxels que aumentam a densidade de dados, e utiliza inteligência artificial para leitura.
- Um bloco de vidro pode armazenar até 4,84 TB, com testes indicando durabilidade de mais de 10 mil anos, mas o processo de escrita é lento, limitando a escalabilidade para grandes volumes de dados.
Armazenar grandes volumes de dados por décadas — ou séculos — segue sendo um desafio técnico e econômico. Fitas magnéticas, discos rígidos e servidores consomem energia, sofrem desgaste e exigem manutenção constante. Em busca de alternativas mais duráveis, pesquisadores vêm testando soluções pouco convencionais, que vão de DNA sintético a novos materiais físicos.
É nesse contexto que a Microsoft apresentou avanços do Project Silica, iniciativa que transforma placas de vidro em mídia de armazenamento digital. Em um estudo publicado na revista Nature, a empresa mostrou um sistema funcional capaz de gravar e ler dados diretamente no interior do material, com densidade superior a 1 gigabit por milímetro cúbico.
Por que usar vidro para guardar dados?
Apesar da fama de frágil, o vidro pode ser extremamente estável do ponto de vista químico e térmico. Dependendo de sua composição, ele resiste bem à umidade, variações de temperatura e interferências eletromagnéticas. Segundo os pesquisadores, trata-se de um meio que oferece exatamente o tipo de durabilidade desejada para armazenamento arquivístico.
No Project Silica, os dados não são gravados na superfície, mas “queimados” dentro do vidro com lasers de altíssima precisão. O uso de lasers de femtossegundo — pulsos ultracurtos emitidos milhões de vezes por segundo — permite criar estruturas microscópicas chamadas voxels. Esses pontos podem representar mais de um bit de informação, aumentando significativamente a densidade de dados.

Armazenamento em vidro é viável?
A leitura dessas informações é feita por microscopia capaz de detectar variações no índice de refração do vidro. O sistema captura imagens camada por camada e utiliza redes neurais convolucionais para interpretar os padrões gravados. A inteligência artificial é treinada para reconhecer sutis diferenças visuais, inclusive a influência de voxels vizinhos.
Antes da gravação, os dados passam por um processo de codificação com correção de erros semelhante ao usado em redes 5G. Isso garante maior confiabilidade na recuperação futura. Hoje, um único bloco de vidro pode armazenar até 4,84 TB, mas o processo de escrita ainda é lento: preencher totalmente uma placa pode levar mais de 150 horas.
Mesmo assim, os testes de envelhecimento acelerado indicam que o vidro de borossilicato manteria os dados legíveis por mais de 10 mil anos à temperatura ambiente. Por isso, a Microsoft afirmou: “Nossos resultados demonstram que a sílica pode se tornar a solução de armazenamento de arquivos para a era digital”.
Na prática, porém, o volume crescente de dados globais impõe limites. Projetos científicos que geram centenas de petabytes por ano exigiriam milhares de placas e dezenas de máquinas operando em paralelo.
Microsoft aposta em armazenamento de dados em vidro para arquivos de longo prazo (10 mil anos)

