Xbox nega pressão para uso de IA, mas ex-funcionários relatam o contrário

Tecnologia

Em uma entrevista ao Windows Central publicada nesta terça-feira (24), a nova CEO do Xbox, Asha Sharma, bem como o diretor de conteúdo da divisão, Matt Booty, comentaram sobre o papel que a IA irá desempenhar sob a nova liderança.

De acordo com Booty, não há nenhuma pressão quanto ao uso de inteligência artificial por parte da Microsoft. O executivo afirmou que as “equipes são livres para usar quaisquer tecnologias que possam ser benéficas, seja para ajudar a escrever código ou verificar bugs, coisas mais voltadas para a esteira de produção. No fim das contas, como Asha disse, estamos comprometidos com a arte feita por pessoas. A tecnologia serve apenas como suporte para isso.”

Assim como em sua mensagem de apresentação, a nova CEO do Xbox voltou a afirmar ao portal: “Não vou inundar nosso ecossistema com lixo gerado por IA. Não teremos resultados descuidados, não teremos trabalhos derivados”. Ambos os executivos deixaram claro que a IA generativa deve servir apenas como uma ferramenta de suporte e que a tecnologia existe unicamente para apoiar o trabalho de artistas, roteiristas e programadores, não para substituí-los.


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Booty comparou a IA com a chegada do programa de edição de imagens Photoshop. “Quando o Photoshop surgiu, levou cerca de um mês para aparecer em todos os estúdios de jogos do planeta, porque era muito útil.”

Xbox promoveu vaga com imagem gerada por IA (Divulgação/Microsoft)

Uma das principais preocupações da comunidade em torno da saída de Phil Spencer e Sarah Bond do Xbox é justamente o background de Asha Sharma com games e IA. A executiva trabalhou em empresas como Meta e Instacart, onde pôde desenvolver e aprimorar serviços e plataformas. Na Microsoft, até a última quinta-feira (19), a executiva liderava a equipe de produtos CoreAI, onde trabalhou ativamente com inteligência artificial.

Vale lembrar que há uma enorme resistência ao uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos, em especial nos processos criativos de produção. Essa resistência parte tanto dos jogadores, que criticaram o uso da tecnologia em casos como The Alters e Call of Duty: Black Ops 7, como dos próprios desenvolvedores e artistas.

Ex-funcionários da King acusam Microsoft de impor IA

Apesar de Matt Booty negar imposições da Microsoft em relação à inteligência artificial no Xbox, desenvolvedores da King disseram justamente o contrário no ano passado. Adquirida junto com a compra da Activision Blizzard, a desenvolvedora por trás de Candy Crush sofreu com uma redução em sua força de trabalho na demissão em massa promovida na divisão de games em julho do ano passado.

Funcionários da King alegam serem substituídos por ferramentas de IA que eles mesmos treinaram (Divulgação/Microsoft)

Na ocasião, um ex-funcionário ao site mobilegamer.biz que a Microsoft estava impondo o uso de IA no estúdio. “A Microsoft já vinha introduzindo a IA como obrigatória há algum tempo”, contou um envolvido ao portal. “A meta para o ano passado, se bem me lembro, era atingir 70% ou 80% de uso diário de IA em tarefas gerais. E a meta para este ano era chegar a 100%, para que todo artista, designer, desenvolvedor e até mesmo gerente tenha que usá-la diariamente.”

Outra fonte sugeriu ao mobilegamer.biz que a obrigação do uso da tecnologia não estava funcionando muito bem. “A adoção de IA é muito baixa, com exceção do ChatGPT”, disse.

Os cortes no Xbox em julho do ano passado resultaram na demissão de milhares de funcionários, no cancelamento de vários jogos e até no fechamento de estúdios. Um executivo da marca recomendou que os colaboradores afetados buscassem apoio profissional e emocional em ferramentas de IA.

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