
Complexas e caras, as máquinas lava e seca podem se tornar o pesadelo técnico após um enchente. Contudo, antes de descartar o equipamento, entenda os sinais vitais e o erro fatal que pode queimar R$ 4 mil em segundos.
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Diferente da maioria dos fogões que são essencialmente mecânicos, a lava e seca tem muitos componentes sensíveis. A complexidade joga contra: placas eletrônicas, sensores digitais e motores inverter não conversam bem com a lama.
A primeira regra é sobre “o que não se deve fazer”. Por isso, não ligue o aparelho na tomada. A água barrenta é condutora e tem muitos minerais. Energizar a máquina ainda úmida pode causar “curto em cascata”, queimando a placa de potência e a interface de uma só vez.
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Ao mesmo tempo, limpar apenas por fora não é útil. O problema real é a lama que entra no tanque e na bomba de drenagem. É preciso ter ferramentas para abrir a tampa traseira e superior e avaliar até onde a água subiu.
Veja as marcas e identifique onde água subiu. Se a enchente cobriu apenas os pés ou a parte baixa, há esperança. Caso a água tenha atingido o painel ou a parte superior, onde ficam os componentes eletrônicos da maioria dos modelos, a chance de perda total é alta.
A secagem exige paciência. Use um soprador térmico com cautela ou deixe a máquina aberta ao sol por, no mínimo, 72 horas. O uso de álcool isopropílico nas placas visíveis ajuda a remover umidade e evitar zinabre.
O defeito pós-enchente mais comum não é elétrico, é mecânico: os rolamentos. A água entra no eixo do tambor e remove a graxa. O resultado é um ronco alto que parece turbina de avião que costuma surgir dias ou semanas depois do ocorrido.
A eletrobomba de drenagem fica no chão da máquina, sendo a primeira a sofrer. Ela quase sempre entope com barro ou queima. Se ela travar, a máquina não esvazia, a porta não abre e o painel exibe códigos de erro.
Outro ponto crítico é a trava da porta. É um componente elétrico de segurança. Se molhou, ela pode travar suas roupas lá dentro ou impedir o início de qualquer ciclo. A troca é barata, mas o acesso é difícil.
Vale a pena consertar?
A recomendação do professor Ewaldo Mehl, engenheiro elétrico da UFPR é levar os equipamentos para uma oficina de assistência técnica de confiança e pedir que seja feita uma limpeza e secagem completa. Contudo, esses serviços podem ser caros, complexos e demorados.
Somente a troca de rolamentos e a higienização técnica exigem desmontar a máquina inteira, o que frequentemente custa cerca de 30% a 40% do valor de uma nova, só em mão de obra.
Se a placa eletrônica queimou com a parte mecânica, o reparo financeiro é inviável. Afinal, se o orçamento passar de 50% do valor de uma máquina zero quilômetro, a recomendação é o descartar o aparelho.
Antes de chamar o técnico, faça as contas e peça um orçamento sem compromisso. Se decidir consertar, exija higienização do tanque com água sanitária industrial, pois o lodo interno pode contaminar suas roupas futuras.
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