A RAM não te protege mais: chegou a hora de escolher CPU com critério

Tecnologia

Montar um PC, por muitos anos, virou quase um exercício automático. A memória RAM sobrava, os jogos se acomodavam dentro de 16 GB sem grandes dramas e, na prática, muita ineficiência de processador, motor gráfico e até de configuração simplesmente passava despercebida. Só que 2026 mudou o cenário. A RAM voltou a ser disputada, e isso recolocou a eficiência (aquela velha métrica que parecia esquecida) no centro da conversa.

E não é impressão. Um levantamento com 55 jogos modernos mostrou que títulos populares como Apex Legends, Fortnite e Call of Duty facilmente ultrapassam 10 a 12 GB de uso total quando somados ao Windows e aos aplicativos em segundo plano, mesmo em 1080p, segundo a pesquisa RAM Usage in Games (2024). Em jogos recentes, o consumo é ainda maior. Ou seja: aquela folga que mascarava problemas desapareceu. E quando a memória aperta, o sistema começa a revelar onde estão os gargalos de verdade.

Quando a RAM aperta, a CPU aparece

É nesse momento que o processador volta a ser protagonista. Quando a RAM deixa de sobrar, a CPU precisa trabalhar melhor: gerenciar cache com eficiência, lidar com múltiplas tarefas sem tropeçar, manter a latência baixa entre RAM e processador e, principalmente, garantir consistência. Nos testes da Corsair com a Digital Foundry, jogos como Starfield e Jedi Survivor mostraram ganhos de até 13% em estabilidade de frames quando combinados com CPUs mais eficientes e memória mais rápida, aponta o levantamento da Corsair/Digital Foundry (2024). Não é aumento de FPS médio. É estabilidade. E estabilidade é o que separa um jogo “rodando” de um jogo “fluindo”.


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Esse é o ponto que mais confunde o consumidor final: desempenho teórico não é desempenho real. O FPS médio é só um número bonito. O que define a experiência é o 1% low, o frame time, a latência. E tudo isso depende mais da eficiência da CPU do que da quantidade de RAM. É por isso que adicionar mais memória nem sempre resolve. Se o processador não consegue alimentar a placa de vídeo rápido o suficiente, ou se o sistema sofre com latência alta, o gargalo continua existindo. Mais RAM só dá mais espaço para o problema acontecer com menos travamento, mas não resolve a causa.

Configurações com propósito voltam a fazer diferença

E isso muda a forma de montar PCs. Configurações genéricas, que antes funcionavam “bem o bastante”, agora entregam resultados inconsistentes. Já configurações pensadas para um objetivo específico, seja para jogos competitivos, pesados, multitarefa ou criação de conteúdo, extraem muito mais do hardware, mesmo com limitações de RAM. A eficiência voltou a ser a métrica mais importante. Não o número bruto de gigabytes.

Esse cenário também pressiona a indústria de jogos. Motores gráficos mal otimizados, que antes se escondiam atrás da folga de memória, agora ficam expostos. Lançamentos que dependem de dezenas de patches pós-release se tornam menos toleráveis. E a otimização volta a ser prioridade desde o início do desenvolvimento, não apenas na fase de correção. Starfield é um bom exemplo: no lançamento, era fortemente limitado por CPU e memória, e só depois de múltiplos patches passou a entregar estabilidade aceitável – Corsair/Digital Foundry (2024). Com a RAM mais disputada, esse tipo de lançamento se torna ainda mais problemático.

No fim das contas, o que muda quando a memória deixa de ser abundante é simples: eficiência volta a valer mais do que força bruta. Processadores bem otimizados ganham protagonismo. Configurações precisam ser pensadas com critério. Jogos mal otimizados ficam mais evidentes. E o consumidor volta a sentir, na prática, a diferença entre um PC bem montado e um PC montado no automático.

A era do “coloca mais RAM que resolve” acabou. Agora, quem entende de eficiência sai na frente.

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