
A popularização da inteligência artificial (IA) passou muito pelo acesso a chatbots que recebem solicitações e geram respostas instantâneas aos usuários. Mas o uso dessa tecnologia no dia a dia evoluiu substancialmente, e um dos exemplos é o fato de que 2026 deve marcar a consolidação dos “agentes de execução”.
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Essa nova fase pode ter o Claude Cowork e o OpenAI Frontier como duas das ferramentas que sinalizam como os trabalhadores podem agora contar com “colegas de IA”. Esses assistentes deixam para trás a fase experimental, tornando-se parte integrante da rotina de automação de tarefas.
Mas o que mudou para que esse salto fosse possível? Segundo Arlindo Galvão, diretor do Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), três fatores principais explicam essa transição.
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O primeiro deles é o raciocínio de longo prazo, com modelos capazes de manter o objetivo final estabelecido no início do processo mesmo após diversas etapas. Outro aspecto é a confiabilidade e a redução de alucinações dos agentes de IA, que passaram a trazer mais previsibilidade aos resultados.
“Por fim, a padronização dos ecossistemas digitais. Hoje é muito mais simples — e seguro — integrar a IA a sistemas corporativos como e-mail, CRM, ERP e plataformas financeiras, permitindo que ela não apenas sugira ações, mas efetivamente execute tarefas dentro de ambientes reais”, explica Galvão.
Adoção de agentes de fronteira
Essa nova fase é marcada principalmente pela adoção dos agentes de fronteira. Eles operam com base em raciocínio avançado e memória para realizar tarefas complexas por períodos prolongados, utilizando arquivos e dados disponíveis no computador ou em sistemas conectados.
“O objetivo dos agentes de fronteira não é substituir as pessoas, mas sim ampliar sua capacidade de impacto. O valor que eles entregam está na execução de tarefas de forma autônoma dentro de limites claramente definidos, complementando as capacidades humanas e permitindo que as equipes se concentrem em tarefas de maior impacto e valor”, afirma Luis Liguori, líder de arquitetura de soluções da AWS no Brasil.
A era da IA agêntica significa conceder a esses assistentes permissões para interagir com grandes bancos de dados e sistemas corporativos, em um movimento que posiciona a tecnologia como uma “espinha dorsal” dos fluxos de trabalho.

Transformação das funções humanas
Essa mudança nas atividades cotidianas é embasada por dados da pesquisa FutureScape, divulgada pela International Data Corporation (IDC). O levantamento indica que, em 2026, 40% de todas as funções nas 2 mil maiores empresas de capital aberto do mundo (G2000) envolverão trabalho direto com agentes de IA.
Esse cenário aponta para uma transformação do papel do profissional humano, que deixa de ser executor manual de diversas tarefas. A função, cada vez mais, passa a ser definir a estratégia e validar resultados gerados pelos assistentes digitais.
“O profissional deixa de gastar 80% do tempo em tarefas transacionais para atuar na curadoria e supervisão. O humano define a estratégia, estabelece os limites éticos e valida o resultado final”, destaca o diretor do CEIA.
O especialista acrescenta que esse novo contexto gera um desafio voltado à requalificação dos profissionais. Isso porque a tarefa de operar ferramentas deverá ser complementada pela capacidade de desenhar processos e traçar estratégias para guiar a atuação dos agentes de IA.

Segurança e controle de acessos
Outro desafio trazido pela autonomia dada aos “agentes de execução” diz respeito ao controle de acessos concedidos a eles. A possibilidade de os assistentes executarem ações sozinhos pode expor trabalhadores e companhias a falhas que afetam diversos processos em poucos segundos.
Para mitigar o risco desses problemas, a segurança deve ser encarada como prioridade desde o início do desenvolvimento dos agentes. Limitar seus acessos a informações e áreas específicas é uma das principais formas de evitar comportamentos que afetem dados sensíveis.
“A autonomia de um agente de IA deve ser projetada sob controles, padrões claros e mecanismos de supervisão adequados. A segurança está na precisão das regras, limites e contextos nos quais o agente pode operar, mantendo sempre a validação humana em decisões críticas para o negócio”, enfatiza o especialista da AWS.
Popularização do acesso a agentes
E a expansão da implementação dos agentes de IA nos fluxos de trabalho em 2026 não deve se restringir a empresas de grande porte já familiarizadas com conceitos técnicos dessa tecnologia. Aspectos como a computação em nuvem mais acessível e ferramentas com modelos de código aberto facilitam a integração dos assistentes à rotina de tarefas das demais companhias.
“Embora as Big Techs dominem a criação dos modelos de base, a ‘era dos agentes’ é surpreendentemente acessível ao mercado de médio porte. Hoje, uma empresa não precisa treinar um modelo do zero; basta integrar um agente pré-treinado aos seus dados específicos”, ressalta o diretor do CEIA.
Esse contexto de popularização também aponta para uma tendência de que soluções digitais baseadas em IA agêntica passem a fazer parte de todas as áreas de um negócio.
Com mais autonomia, memória e integração aos sistemas corporativos, 2026 tende a se consolidar como um ponto de virada, marcando o avanço dos agentes como “colegas de trabalho” com protagonismo operacional crescente.
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