Altas temperaturas vão bater recordes dentro de 5 anos, diz ONU

Tecnologia

Um novo relatória da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), apontou que há 80% de chance das temperaturas globais baterem recordes de calor nos próximos cinco anos. Em 2024, o limiar de 1,5 ºC de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais foi ultrapassado em termos anuais pela primeira vez, algo que cálculos de cinco anos anteriores a 2014 consideravam impossível.

Segundo Ko Barrett, secretário-geral adjunto da OMM, o mundo acabou de viver os dez anos mais quentes da história, e o relatório não mostra sinais de enfraquecimento na alta das temperaturas. Segundo observações e previsões meteorológicas de longo prazo, a probabilidade de que o aquecimento médio entre os anos de 2025 e 2029 seja maior do que 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais é de 70%.

Aquecimento recorde e Acordo de Paris

O Acordo de Paris, tratado internacional que buscou limitar as emissões de gases do efeito estufa e alterações climáticas, tinha como objetivo barrar o aumento de temperatura acima de 1,5 ºC nos níveis pré-industriais. Segundo o relatório, há chances de 86% desse número ser ultrapassado em um dos próximos cinco anos, contra 40% calculado na edição de 2020.


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A emissão de gases do efeito estufa através da queima de petróleo, carvão e gás natural é o grande causador do aquecimento global, o que foi garantido com comparações com outras épocas e previsões climáticas (Imagem: Christian Lederer/CC-BY-3.0)
A emissão de gases do efeito estufa através da queima de petróleo, carvão e gás natural é o grande causador do aquecimento global, o que foi garantido com comparações com outras épocas e previsões climáticas (Imagem: Christian Lederer/CC-BY-3.0)

O mais preocupante, de acordo com os institutos de pesquisa responsáveis pelos dados do relatório, é que essas são as previsões mais otimistas — as emissões de CO2 não começaram a diminuir a nível mundial, mas sim a aumentar. Há uma probabilidade baixa, de apenas 1%, de que o aumento da temperatura em até 2 ºC ocorra antes de 2030, o que depende de um El Niño forte, uma oscilação ártica positiva e outros fatores de aquecimento.

A plausibilidade de que esse aumento ocorra, no entanto, é o suficiente para alarmar os cientistas. Há algumas décadas, não se considerava plausível que um ano excederia 1,5 ºC de aumento de temperatura, o que ocorreu em 2024. Se esse aumento continuar consistente, há riscos de secas extremas, inundações incêndios florestais, trazendo ameaças à saúde humana e de toda a vida na Terra. A solução já é bem conhecida: deixar de queimar petróleo, carvão, árvores e gás.

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