
Resumo
- O CEO da OpenAI, Sam Altman, criticou o “AI washing”, prática em que empresas justificam demissões com o avanço da IA, mesmo que os cortes não sejam diretamente causados por ela.
- Estudos mostram impacto limitado da IA no emprego, com 90% dos executivos não percebendo mudanças significativas na produtividade devido à IA.
- Dados macroeconômicos até 2025 não indicam mudanças significativas no desemprego ou em ocupações expostas à IA, embora o impacto possa crescer no futuro.
Em meio ao debate global sobre os efeitos reais da inteligência artificial no mercado de trabalho, Sam Altman levantou um alerta: parte das demissões anunciadas por empresas estaria sendo atribuída de forma exagerada — ou enganosa — ao avanço da tecnologia. O CEO da OpenAI chamou a prática de “AI washing”, uma espécie de maquiagem discursiva para decisões que já seriam tomadas por outros motivos.
A declaração foi feita a um canal de TV nesta quinta-feira (19), durante a Cúpula do Impacto da IA, realizada na Índia. Segundo Altman, embora a IA já provoque substituição real de algumas funções, nem todo corte de vagas pode ser creditado diretamente a ela, como muitas companhias têm sugerido em comunicados recentes.
O que é “AI washing” nas demissões?
Altman explicou que não é possível medir exatamente a dimensão do fenômeno, mas deixou claro que há uma diferença entre impactos concretos da IA e o uso do discurso tecnológico como bode expiatório. “Não sei qual é a porcentagem exata, mas existe um certo ‘AI washing’, em que as pessoas culpam a IA por demissões que elas mesmas fariam, e existe também um deslocamento real de diferentes tipos de empregos pela IA”, afirmou.
Estudos recentes ajudam a ilustrar essa ambiguidade. Uma pesquisa publicada pelo National Bureau of Economic Research mostrou que quase 90% de executivos de alto escalão nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália disseram não ter visto mudanças relevantes no nível de produtividade atribuíveis à IA nos três anos seguintes ao lançamento do ChatGPT.
Por outro lado, o discurso de líderes do setor costuma ser mais alarmista. Dario Amodei, da Anthropic, já falou em um possível “banho de sangue” no trabalho de escritório, enquanto Sebastian Siemiatkowski afirmou que a Klarna pode reduzir um terço de seu quadro de funcionários até 2030, em parte por causa da aceleração da IA.
O Fórum Econômico Mundial estima que cerca de 40% dos empregadores esperam reduzir equipes no futuro com base nesse mesmo argumento.

A IA já está afetando o emprego?
Apesar das previsões, dados macroeconômicos ainda não mostram uma ruptura clara. Um relatório do Yale Budget Lab, baseado em estatísticas oficiais dos EUA até novembro de 2025, não identificou diferenças significativas no desemprego ou na composição das ocupações mais expostas à IA.
Altman reconhece que o impacto tende a crescer, mas não de forma imediata. “Encontraremos novos tipos de trabalho, como em toda revolução tecnológica”, disse.
Altman se posiciona contra “AI washing”, que virou moda no Vale do Silício

