Amazon demite 16 mil funcionários dias antes de revelar lucros do trimestre

Tecnologia

A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28) a demissão de aproximadamente 16 mil funcionários de sua estrutura corporativa. O corte ocorre às vésperas da divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre, repetindo a estratégia adotada pela empresa há três meses, de cortar força de trabalho dias antes de prestar contas aos investidores.

Em outubro de 2025, a companhia demitiu 14 mil colaboradores no dia 28, apenas dois dias antes de revelar seus números do terceiro trimestre, em 30 de outubro. Na ocasião, o relatório financeiro já contabilizava um impacto de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) em custos de rescisão relacionados à eliminação de cargos.

Desta vez, a história se repete com a confirmação dos novos desligamentos pouco antes da conferência de resultados do último trimestre do ano passado, marcada para 5 de fevereiro. O movimento reforça a busca da gigante do varejo por eficiência operacional e redução de burocracia, enquanto redireciona investimentos massivos para inteligência artificial (IA).


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Em comunicado, a vice-presidente sênior de Experiência de Pessoas e Tecnologia, Beth Galetti, justificou as demissões como uma medida para “reduzir camadas e aumentar a responsabilidade”, garantindo que a empresa invista em suas “maiores apostas”.

“Reconheço que esta é uma notícia difícil, e é por isso que estou compartilhando o que está acontecendo e o porquê”, escreveu Galetti.

Bastidores conturbados

O anúncio oficial das 16 mil demissões veio após um deslize interno. Na terça-feira (27), um e-mail enviado por engano a funcionários da Amazon Web Services (AWS) mencionava “mudanças organizacionais” e um misterioso “Projeto Dawn”, antecipando a notícia e gerando apreensão interna antes da confirmação pública.

A maioria dos funcionários afetados nos Estados Unidos terá um período de 90 dias para buscar novas posições internamente na companhia, além de receberem suporte de transição e verbas rescisórias caso não encontrem realocação.

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A AWS é um dos setores da Amazon que mais cresce com o boom da IA (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Peso dos cortes no balanço

Os resultados do terceiro trimestre de 2025 deixam claro o custo — e o resultado — dessa reestruturação. 

A empresa reportou vendas líquidas de US$ 180,2 bilhões, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. No entanto, o lucro operacional de US$ 17,4 bilhões foi diretamente afetado pelas despesas com as demissões em massa e por um acordo legal com a Federal Trade Commission (FTC).

Sem esses encargos extraordinários, o lucro operacional teria saltado para US$ 21,7 bilhões, o que sinaliza aos acionistas que, apesar dos custos imediatos com rescisões, a operação da empresa se torna mais lucrativa com uma estrutura mais enxuta.

Aposta total em IA e Nuvem

Enquanto corta vagas no corporativo, a Amazon acelera em áreas estratégicas. A divisão de nuvem, da AWS, registrou um crescimento de 20% no último trimestre, alcançando US$ 33 bilhões em vendas.

O CEO Andy Jassy tem sido vocal sobre o papel da IA na transformação da empresa. “Continuamos a ver um forte impulso e crescimento em toda a Amazon, à medida que a IA impulsiona melhorias significativas em cada canto do nosso negócio”, afirmou o executivo no último balanço.

A empresa também destacou investimentos pesados em infraestrutura para suportar essa demanda, adicionando mais de 3,8 gigawatts de capacidade de energia nos últimos 12 meses para seus data centers.

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