Anthropic provoca OpenAI com campanha contra anúncios no ChatGPT

Tecnologia
Resumo
  • Anthropic lançou uma campanha publicitária com quatro vídeos que ironizam os anúncios no ChatGPT.
  • O CEO da OpenAI, Sam Altman, classificou a campanha como “desonesta” e afirmou que o ChatGPT não exibirá anúncios da forma descrita nos vídeos.
  • Segundo a OpenAI, os anúncios serão exibidos no final das respostas, sem influenciar o teor das respostas geradas pela IA.

A Anthropic decidiu alfinetar a OpenAI com uma campanha publicitária lançada ontem (04/02). Em uma série de quatro vídeos, a criadora do Claude, chatbot rival do ChatGPT, ironiza a introdução de propagandas no ChatGPT.

Nos vídeos, a empresa satiriza que o produto de Sam Altman usará informações enviadas pelo usuário em conversas cotidianas para distorcer conselhos, a fim de alavancar a venda de produtos de anunciantes.

A provocação ocorre poucas semanas após a OpenAI confirmar oficialmente a chegada dos anúncios na versão gratuita e no plano Go do assistente. A medida, que já era discutida internamente e especulada desde pelo menos 2024, deve custear o processamento de dados e a expansão de infraestrutura da empresa, mas serviu de munição para concorrentes se posicionarem como alternativas livres de publicidade.

Como são os vídeos?

Os comerciais colocam um indivíduo conversando com outra pessoa com o estilo de conversação comum de chatbots de IA. Os vídeos se iniciam com uma palavra provocativa, como “violação” e “traição”. Nesse último, por exemplo, um homem conversa com uma terapeuta sobre a relação com a própria mãe e recebe uma propaganda de um site de encontros com mulheres mais velhas.

O comportamento se repete em outras peças, nas quais os personagens recebem ofertas de forma intrusiva em meio a conversas. No vídeo “violação”, a empresa é mais explícita na crítica ao uso indevido de dados dos usuários: nele, um jovem busca dicas para definir o abdômen e, após informar sua altura e peso, recebe um anúncio de palmilhas para ficar mais alto.

A Anthropic encerra os vídeos com a mensagem de que os anúncios estão chegando à IA, mas não ao Claude. A promessa repete o posicionamento do Google, dono do Gemini, que diz não ter planos para incluir publicidade na plataforma e fez ressalvas quanto ao modelo adotado pela OpenAI.

Sam Altman diz que campanha é “desonesta”

A sátira tocou na ferida da OpenAI. Embora tenha admitido na rede social X que riu dos vídeos, o CEO Sam Altman publicou um longo texto rebatendo a campanha e classificando-a como “desonesta”.

Altman afirma que o ChatGPT “jamais rodaria anúncios da forma que a Anthropic descreve” e insiste que seus usuários rejeitariam tal comportamento. Além disso, o executivo criticou a rival por servir apenas a “pessoas ricas” com seus planos de assinatura, chamando-a de “autoritária” pelas políticas de uso restritivas.

OpenAI nega que modelo influenciará respostas

De fato, durante a cobertura de todo o processo de avaliação da OpenAI pelo modelo de anúncios, sabia-se que a empresa estava preocupada com a recepção do conteúdo patrocinado pela base de usuários e que isso definiu os princípios usados pela companhia.

Apesar da paródia ácida da Anthropic, a implementação real dos anúncios no ChatGPT promete ser mais contida. A proposta da OpenAI é integrar a publicidade ao contexto, exibindo-a apenas no final das respostas textuais e quando houver um produto ou serviço relevante para a conversa.

Segundo a dona do ChatGPT, as propagandas serão rotuladas, separadas do conteúdo gerado pela IA e não influenciarão o teor das respostas.

Anthropic provoca OpenAI com campanha contra anúncios no ChatGPT