Da Redação
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a Índia de 19 a 21 de fevereiro acompanhado por uma missão integrada por aproximadamente 200 empresários e na percepção do especialista em comércio exterior, Jackson Campos, o governo brasileiro deveria aproveitar a oportunidade avançar com as negociações visando ampliar a cobertura -hoje bastante limitada- do Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a República da Índia, celebrado em Nova Delhi, em 25 de janeiro de 2004 e em vigor desde 2009.
Para Jackson Campos, da parte do Mercosul, cabe ao Brasil liderar o processo de aprofundamento desse acordo. E ele explica: “o volume das exportações da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai para a Índia é praticamente inexistente e o Brasil só tem a ganhar”.
Campos identifica outro problema: a crescente importação pelo Uruguai de produtos indianos, em especial medicamentos para posterior exportação para o Brasil: “os uruguaios têm aumentado a importação de produtos indianos, que posteriormente passam por algum tipo de manufatura e são reexportados para o Brasil como se fosse um bem produzido em um país membro do Mercosul. Já visitei algumas unidades do setor farmacêutico no Uruguai que fazem esse tipo de operação”.
Brasil projeta um acordo muito mais abrangente
Atualmente, o acordo cobre cerca de 450 linhas tarifárias, num universo de cerca de 10 mil, e prevê reduções tarifárias modestas, entre 10% e 20%. A meta é ampliar substancialmente o escopo e incluir novas áreas de cooperação comercial. O governo brasileiro pretende negociar a inclusão de novos produtos, especialmente do agronegócio, negociar reduções tarifárias e buscar a retirada de barreiras comerciais.
Segundo Jackson Campos, “a Índia é considerada um país secundário para o Brasil. De lá, a gente importa muito produtos farmacêuticos, dos quais os indianos são um dos maiores exportadores do mundo, e eles têm também muitos têxteis, pneus, partes e peças de veículos. Mas em termos de exportação, o Brasil é um país pouco expressivo e um dos principais motivos é a proximidade da China com a Índia. Para eles é muito mais fácil, e barato, comprar da China que do Brasil. E quando falamos de frutas e outros produtos agrícolas, eles também são produtores e inclusive são exportadores de frutas para o mundo inteiro. Aí reside o grande desafio, que é convencer a Índia a importar do Brasil e não da China”.
Campos reforça que já esteve diversas vezes na Índia para prospectar mercados para empresas brasileiras no país asiático e destaca que “os indianos me perguntavam sempre: porque vamos importar do Brasil se podemos importar da China pela metade do preço e receber muito mais depressa?”
Preço e logística não são os únicos obstáculos no caminho do fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e a Índia: “os dois países são muito protecionistas. Talvez um acordo econômico específico com a Índia seja um bom ponto de partida. Além disso, os dois países são extremamente burocráticos, principalmente no tocante ao aspecto aduaneiro. Tanto para a exportação quanto para a importação”.
O especialista assinala que “a Índia é tão difícil quanto o Brasil na importação. Quando se importa da Índia é muito simples, mas na exportação do Brasil é tudo muito complexo, da mesma forma que é com relação a nós. Assim como a Índia, nós também buscamos fazer importações de onde é mais barato e mais rápido”.
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