CEO do Google alerta para riscos do colapso da IA

Tecnologia
Resumo
  • O Sundar Pichai alerta sobre riscos de colapso na IA, comparando a situação atual à bolha da internet dos anos 90.
  • O Google e a Alphabet têm um modelo de negócios diversificado para enfrentar crises, mas nenhuma empresa estaria imune ao impacto global.
  • A expansão da IA traz desafios energéticos e ambientais, afetando cronogramas de sustentabilidade e exigindo ampliação das matrizes energéticas.

Nenhuma corporação global sairia ilesa caso a atual bolha de investimentos em inteligência artificial estourasse. Essa é a visão de Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet, em um momento em que gigantes da tecnologia registram valorizações recordes impulsionadas pela expectativa de revolução por meio da IA.

O cenário, descrito por Pichai em entrevista publicada nesta terça-feira (18/11) pela BBC, sugere que o volume de capital injetado no setor possui “elementos de irracionalidade”, lembrando a “bolha da internet” do final dos anos 90. Esse período de intensa especulação financeira inflacionou artificialmente as ações de empresas de tecnologia e internet, e culminou no colapso do mercado em 2000, com grandes perdas para investidores.

Analistas e instituições bancárias, como o JP Morgan, também alertam que parte dos investimentos atuais em IA pode não gerar o retorno esperado, resultando em perdas de capital.

O Google resistiria à crise?

Questionado sobre o possível colapso, Pichai sustentou que a Alphabet e o Google teriam capacidade de superar a crise, mas evitou projetar um cenário de blindagem total. A resposta do executivo reforçou que, dada a interligação dos mercados globais e a dependência da cadeia de suprimentos tecnológicos, o impacto seria generalizado.

“Acredito que nenhuma empresa estaria imune, inclusive nós”, pontuou Pichai. A vantagem estratégica da Alphabet estaria em seu modelo de negócios diversificado, que abrange desde a fabricação de chips personalizados até o desenvolvimento de ciência de base através do laboratório DeepMind.

A estratégia da empresa para diminuir os riscos envolveria ainda investimentos. No Reino Unido, a Alphabet já se comprometeu a investir cerca de 5 bilhões de libras (R$ 35 bilhões na cotação atual) em infraestrutura e pesquisa. O plano inclui a expansão de centros de dados e a inédita decisão de treinar modelos de IA em território britânico, atendendo a uma demanda do governo local para posicionar a nação como uma superpotência tecnológica.

Desafios e adiamento de metas ambientais

Além dos riscos financeiros, a expansão da infraestrutura de inteligência artificial trará grandes desafios energéticos e ambientais. O consumo de energia da IA, que já representaria cerca de 1,5% da demanda elétrica global, exigiria que nações desenvolvidas ampliassem suas matrizes energéticas para evitar gargalos econômicos. Pichai reconheceu que isso traria consequências imediatas, como a mudança dos cronogramas de sustentabilidade da Alphabet.

Por fim, o executivo abordou o impacto da tecnologia no mercado de trabalho. A IA seria, na visão de Pichai, a tecnologia mais profunda já desenvolvida pela humanidade, com potencial para transformar ou extinguir funções em diversos setores, onde ferramentas automatizadas devem passar a integrar a rotina produtiva global.

CEO do Google alerta para riscos do colapso da IA