
O mercado de carros elétricos no Brasil já amadureceu e, quem ainda tem dúvidas, precisa conferir modelos como o BYD Dolphin, que chegaram ao país há cerca de três anos, no máximo, e já podem ser encontrados no mercado de usados e seminovos. Com essa mudança, surge a dúvida: afinal, como calcular o valor de um carro elétrico usado?
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No caso dos carros a combustão, não há muito espaço para questionamentos, já que basta considerar o trio formado por motor, câmbio e carroceria. No caso dos elétricos, a SoH (sigla em inglês para “State of Health”), que descreve o estado de saúde da bateria, se torna protagonista, e não é sem motivo. É que, nos carros a combustão, a quilometragem elevada costuma ser o principal alerta de desgaste, mas no caso dos elétricos o odômetro conta só metade da história.
Como a bateria representa, sozinha, até 50% do valor desses carros, um veículo que tem baixa quilometragem e que foi exposto a ciclos de recarga rápida ou temperaturas extremas pode ser um mau negócio se comparado a um modelo mais rodado, mas com a bateria melhor preservada.
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Valor de carro elétrico usado
Deu para perceber como é importante saber o estado da bateria dos carros elétricos, né? Para isso, vale ficar de olho no SoH, a métrica que te ajuda a identificar o que pode ser um carro vantajoso para a compra. Assim, tenha em mente que o nível de recarga mostra quanto “combustível” tem no “tanque” do carro, mas o SoH revela o tamanho deste “tanque” em comparação com o dia em que o veículo saiu da fábrica.

Em outras palavras, uma bateria com 90% de saúde significa que entrega 90% da autonomia original mesmo que esteja totalmente carregada. Portanto, cada ponto percentual perdido da saúde deve entrar no cálculo do valor do carro, que precisa levar em conta a depreciação do componente.
Já quem compra pode optar por análises com scanners, em que os profissionais conectam o equipamento a apps para extrair os dados do sistema de gerenciamento do carro e, assim, descobrem como está a saúde real das células de bateria. Por isso, a dica é conferir sempre o histórico de recargas do carro para conferir se o veículo foi recarregado de 0% a 100% muitas vezes.
Dicas para comprar carro elétrico usado
Para quem compra, a investigação exige métodos diferentes, já que modelos como o BMW i3 ou o Nissan Leaf permitem visualizar a degradação da bateria através de barras no painel ou menus de serviço. Mesmo assim, também vale:
- Realizar uma análise profissional com scanners OBD-II conectados a aplicativos específicos, que permitem extrair dados do sistema de gerenciamento e, assim, mostram a saúde real das células — é ali que dá para descobrir se o dono anterior abusou de cargas ultra rápidas que geram calor excessivo e aceleram o desgaste químico;
- Ao negociar, vale ainda exigir o histórico de recargas, já que carros que “viveram” no 0% ou no 100% por longos períodos têm maior desgaste nas baterias.
- Éimportante também conferir a garantia de fábrica, que costuma ser de 8 anos para a bateria. O comprador deve checar se a garantia é atrelada ao chassi e quais os critérios para troca, já que muitas marcas consideram que as baterias estão “defeituosas” só se a saúde cair abaixo de 70%.
- Se o carro estiver próximo desse limite e fora da garantia, o valor de mercado deve despencar.
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