Como o MapBiomas usa IA do Google para mapear e conservar áreas verdes no Brasil

Tecnologia

O MapBiomas é uma rede global que monitora as transformações na cobertura e no uso da terra. Criada no Brasil em 2015, a iniciativa está presente em 14 países, fornecendo mapas e dados atualizados para apoiar a conservação de áreas verdes e o manejo sustentável dos recursos naturais.

Para garantir a máxima precisão das informações disponibilizadas, o MapBiomas conta com processamento automatizado de dados realizado em parceria com o Google Earth Engine. Essa plataforma da big tech permite análises geoespaciais ao combinar imagens de satélites históricos com outros conjuntos de dados ambientais.

Para otimizar ainda mais esse sistema, o Google desenvolveu o AlphaEarth Foundations, um modelo de inteligência artificial (IA) que atua como um satélite virtual. O AlphaEarth se destaca por integrar grandes volumes de dados de diferentes fontes públicas — como imagens ópticas de satélites, radar, mapeamento a laser 3D e simulações climáticas.


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Com esse conjunto, é possível realizar análises sobre terras e águas costeiras em áreas de até 100 m² (resolução espacial de 10 × 10 metros). Na prática, isso permite acompanhar mudanças com precisão ao longo de grandes períodos de tempo.

Mapas AlphaEarth
AlphaEarth fornece dados que possibilitam o acompanhamento de mudanças de cobertura de terra ao longo de grandes períodos de tempo (Reprodução/AlphaEarth Foundations)

Integração entre o MapBiomas e o AlphaEarth

O MapBiomas produz sua coleção de mapas principalmente a partir de imagens do Sentinel-2, constelação de dois satélites de observação terrestre da Agência Espacial Europeia (ESA). Em uma primeira etapa, as imagens são tratadas para remover ruídos e gerar mosaicos com índices espectrais, temporais e de textura.

Com os mosaicos prontos, a fase seguinte é a classificação automatizada por inteligência artificial, baseada em amostras coletadas especificamente para cada região do Brasil.

Os dados processados pelo AlphaEarth ajudam a otimizar a primeira etapa de produção, impactando diretamente a qualidade final dos mapas.

“Os embeddings produzidos pela AlphaEarth substituem essa primeira fase de tratamento das imagens e criação dos mosaicos Sentinel-2, fornecendo um dado de entrada já processado e com muito mais informações disponíveis em cada pixel para serem utilizadas pelo classificador de IA”, explica Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

O especialista acrescenta que, como cada pixel pode concentrar diversas informações, os algoritmos de classificação conseguem diferenciar melhor as classes de cobertura e uso da terra.

Infográfico MapBiomas
Mapa do MapBiomas com recrote da vegetação e recursos hídricos da Amazônia Legal (Reprodução/MapBiomas)

Preservação do território brasileiro

Rosa destaca que a principal contribuição de sistemas avançados, como o modelo de IA do Google, é a possibilidade de gerar mapas cada vez mais detalhados e precisos.

“Os mapas anuais de uso e cobertura da terra produzidos e disponibilizados pelo MapBiomas são essenciais para entender as transformações do território brasileiro e planejar ações de conservação, recuperação ou consolidação. Quanto mais precisos forem os mapas, maior a possibilidade de realizar uma gestão eficiente dos recursos naturais”, afirma o coordenador.

Ele ressalta ainda que os conjuntos de dados do AlphaEarth também estão servindo como base para o desenvolvimento de novas linhas de pesquisa voltadas a produtos mais adaptados às especificidades do território nacional.

Com a necessidade de incluir o máximo de informações locais em cada mapa, a união entre inteligência artificial e a experiência de especialistas pode ser decisiva para preservar a biodiversidade.

“Todo ano o MapBiomas reprocessa todos os mapas, incorporando avanços técnicos e tecnológicos, mas principalmente buscando maior detalhamento das classes, refletindo o conhecimento local de especialistas e os informes de usuários dos mapas”, completa Rosa.

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