Como Raccoon City ainda existe em Resident Evil Requiem?

Tecnologia

A cidade estadunidense fictícia de Raccoon City foi apresentada ao mundo pela primeira vez em 1998 durante Resident Evil 2. Por mais que não seja o início do caos gerado pela Umbrella com o vazamento do T-Vírus, a cidade é a base para a franquia. Sua importância é tamanha que ela volta agora em Resident Evil Requiem, 30 anos após o incidente inicial (já que o novo game se passa em 2028).

No 9º game principal da franquia, a cidade de Raccoon será retratada como ela apareceu por último: destruída por uma explosão nuclear, uma tentativa do governo dos EUA de encobertar tudo o que aconteceu.

Mas, “pera lá”: como uma cidade vaporizada por uma explosão nuclear ainda tem prédios de 20 andares inteiros? Vamos tentar entender esse enigma.


Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.

Teoria 1: a bomba termobárica

Se a Capcom decidir trilhar o caminho do realismo, a explicação pode vir da física. Embora o senso comum chame o ataque de 1998 de “explosão nuclear”, há uma diferença técnica vital que pode salvar a narrativa. Uma ogiva nuclear tradicional deixaria uma cratera profunda e radiação por séculos. No entanto, em arquivos de The Umbrella Chronicles e citações oficiais, o governo no jogo refere-se ao míssil como um “dispositivo experimental”.

Na verdade, em um guia oficial de Resident Evil 3, na página 350, Yasuhisa Kawamura, roteirista do game, diz que se trata, na verdade, de uma Bomba Termobárica de altíssimo poder.

Ao contrário da fissão nuclear, esse tipo de arma utiliza o oxigênio do ambiente para criar uma onda de choque gigantesca e um vácuo de calor extremo. Isso vaporiza a matéria orgânica (os zumbis e cidadãos e qualquer ser vivo), mas pode poupar estruturas de concreto armado mais resistentes, como a icônica delegacia (RPD). 30 anos depois, sem radiação residual, a cidade seria um museu de concreto retorcido, pronto para ser revisitado.

Teoria 2: a cidade subterrânea

Sabemos que a Umbrella não construía apenas laboratórios; ela construía cidades subterrâneas. O NEST (o Ninho) era uma instalação colossal sob a superfície de Raccoon. Uma teoria que ganha força entre os caçadores de lore é que Leon e Grace não estão caminhando sobre o solo de 1998, mas sim em uma área de testes subterrânea.

É embaixo do chão que a Umbrella maquinava tudo o que não prestava (Imagem: Reprodução)

Pense em um set de filmagem: uma réplica das ruas de Raccoon City construída para testar o comportamento das B.O.W.s em ambiente urbano. Isso explicaria por que o trailer mais recente menciona “instalação protegida”. Assim, o que temos podem ser ruínas preservadas, mantidas pela Umbrella (ou quem quer que tenha herdado seus bens).

Teoria 3: alucinação coletiva

Desde que a franquia abraçou o mofo em Resident Evil 7 e o Megamiceto em Village, a realidade em Resident Evil tornou-se maleável. Um dos trailers de Requiem apresenta algumas cenas inusitadas, como zumbis repetindo comportamentos humanos, como um açougueiro morto-vivo desempenhando seu trabalho humano, por exemplo. Isso não é comportamento padrão de um infectado pelo T-Virus.

Estamos diante de uma “Raccoon City mental”? É possível que a névoa que cobre a cidade no trailer seja um agente alucinógeno? Bom, ainda não sabemos. Leon, carregando o trauma de ter visto o mundo acabar naquela cidade, e Grace, buscando o rastro de sua mãe, poderiam estar projetando suas memórias no ambiente.

A cidade seria, portanto, uma manifestação psíquica alimentada por um novo vírus que utiliza as memórias dos hospedeiros para criar um ecossistema de pesadelo.

Indagações de quem entende

A confusão não é exclusividade dos fãs. Recentemente, até mesmo figuras ligadas à direção do clássico Resident Evil 3 expressaram estranheza com o que foi mostrado no trailer de Requiem. Há um sentimento de choque ao ver cenários que foram categoricamente obliterados na década de 1990 retornarem com tamanha integridade. Se quem ajudou a destruir a cidade está confuso, o mistério ganha uma camada extra de legitimidade.

Difícil saber se a delegacia de polícia de Raccoon City estava longe do raio de explosão da bomba (Imagem: Capcom/Divulgação)

Em entrevista, Kazuhiro Aoyama, diretor de Resident Evil 3: Nemesis, diz que ficou “confuso” sobre o retorno de Raccoon City em RE Requiem, já que ela foi obliterada no game original de 1999 (a cutscene final mostra toda a cidade sendo destruída). Ele até acha a ideia “interessante” e ainda imagina se “viagem no tempo está envolvida” para justificar a presença da cidade.

O vídeo no início deste texto mostra a explosão em Raccoon City sob a perspectiva de diferentes games que se passam na cidade. O mais curioso é o final de Umbrella Chronicles, já que Albert Wesker, narrando o final, diz:

“Contudo, nem tudo desapareceu com a destruição da cidade. O pesadelo continuaria pelos próximos anos enquanto os sobreviventes lutavam”.

Isso pode significar uma mudança de postura em relação ao final original pela Capcom com o passar dos games lançados. O remake de Resident Evil 3, inclusive, pode ter sido o palco principal para essa mudança, considerando a primeira teoria.

Será tudo apelo à nostalgia?

No fim das contas, precisamos admitir: a “regra do legal” costuma ditar as regras na Capcom. Eles sabem que o valor nostálgico de atravessar os portões da RPD ou mesmo caminhar pelas ruas de Raccoon City é imensurável. Se for necessário “desfazer” a explosão nuclear para permitir que o Leon coroa reviva seus traumas, o estúdio o fará sem piscar, para a alegria dos fãs.

Rever a delegacia de Raccoon City nesse nível de detalhes foi um grande presente para os fãs (Imagem: Capcom/Divulgação)

A estética de Requiem parece beber diretamente da fonte visual de Resident Evil: O Capítulo Final (o filme de Paul W.S. Anderson), onde Raccoon City também aparece em ruínas, mas reconhecível. Pode ser a primeira vez que vemos uma unificação visual tão clara entre as mídias. Mas é bom lembrar que os filmes live action não são canônicos, nem agradam a maior parte da comunidade de jogadores da franquia.

Se a bomba falhou, se é uma simulação ou um delírio, só saberemos com o controle na mão a partir do dia 27 de fevereiro. Mas uma coisa é certa: Raccoon City é o fantasma que a franquia nunca vai conseguir (ou querer) enterrar.

Veja mais do CTUP:

Leia a matéria no Canaltech.