Crise de chips de memória pode adiar sucessor do PlayStation 5 para 2028

Tecnologia
Resumo

A corrida das gigantes da tecnologia pela infraestrutura de inteligência artificial está drenando os estoques globais de chips de memória, provocando uma crise severa na cadeia de suprimentos que deve atingir o cronograma e o bolso dos consumidores no mercado de videogames.

Diante da falta de componentes, a Sony pode seguir a Valve e adiar a estreia do seu próximo console. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o sucessor do PlayStation 5 chegaria apenas entre 2028 e 2029. Esse também é o período no qual fabricantes de chips de memória preveem que os preços devem melhorar.

A escassez ameaça atrapalhar o planejamento da fabricante de uma transição fluida para sustentar o engajamento dos clientes entre as diferentes gerações de hardware. Além disso, caso se confirme, a nova data deve quebrar uma tradição de lançamento de uma nova geração a cada seis a sete anos.

A companhia mantém essa janela desde o lançamento do primeiro PlayStation:

  • PlayStation 1 (1994)
  • PlayStation 2 (2000)
  • PlayStation 3 (2006)
  • PlayStation 4 (2013)
  • PlayStation 5 (2020)

Vale lembrar que o PS5 se tornou a geração mais rentável da história da Sony, acumulando US$ 136 bilhões em vendas até setembro de 2025 (cerca de R$ 711 milhões).

Preço do Switch 2 pode aumentar

A situação também é crítica para a Nintendo, que estaria avaliando aumentar o preço do Switch 2 neste ano para lidar com o encarecimento dos componentes, o que vai contra a política adotada pela empresa em 2025.

Segundo o The Verge, a companhia aumentou o preço de quase todos os seus hardwares antigos nos Estados Unidos para compensar tarifas comerciais do governo, mas manteve o valor do Switch 2 intocado para não frear o hype do lançamento.

Por que isso está acontecendo?

O fenômeno tem origem na construção massiva de data centers por empresas como Google, Amazon, Meta e Microsoft, que devem gastar por volta de US$ 650 bilhões (R$ 3,4 trilhões) em 2026 nesse tipo de infraestrutura.

Para equipar esses servidores, as big techs compram milhões de aceleradores que exigem quantidades colossais de memória. Um único chip Blackwell da Nvidia, por exemplo, requer 192 GB de RAM – seis vezes mais do que um PC potente precisaria.

A nova demanda forçou as principais fabricantes do mundo – Samsung, SK Hynix e Micron – a mudarem o foco de suas fábricas. Nos últimos três anos, elas desviaram a maior parte de sua capacidade de produção, pesquisa e investimentos para a HBM (memória de alta largura de banda), que é utilizada nos aceleradores de IA.

Como a HBM oferece margens de lucro muito superiores, a fabricação da memória DRAM padrão (a versão básica usada em celulares, PCs e consoles) ficou em segundo plano, gerando um desequilíbrio estrutural. A Micron, uma das principais empresas do ramo, decidiu encerrar a marca Crucial por conta disso.

Crise de chips de memória pode adiar sucessor do PlayStation 5 para 2028