Apesar de processadores de última geração serem caros, esse segmento não sofre tanto como as placas de vídeo. CPUs mainstream passam de R$ 2.000 e os modelos topo de linha chegam facilmente aos R$ 4.000, dificultando bastante a montagem de um PC de alto desempenho para quem tem um orçamento apertado. A saída é o mercado de usados, que não só tem os últimos processadores mais baratos, como também outros mais antigos e ainda poderosos.
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Como o mercado de usados é meio que uma terra de ninguém, é preciso muito cuidado na hora de comprar o seu sonhado processador de segunda mão.
Pensando nisso, o Canaltech listou 5 cuidados essenciais que você deve ter na hora da comprar uma CPU usada.
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1. Compatibilidade com a placa-mãe
Este é o primeiro e mais importante passo. Diferente de uma placa de vídeo, que tem compatibilidade muito mais ampla, um processador só funciona em placas-mãe específicas. É preciso verificar três pontos cruciais. O primeiro deles é o socket, que é o encaixe físico do processador (ex: AM4 da AMD; LGA-1700 da Intel). A CPU precisa ser adequada para aquele determinado socket, senão o encaixe não acontece.

Além disso, o chipset da placa-mãe precisa ser compatível, então consulte o site da fabricante para ver a lista de CPUs suportadas. Sem contar que não vale a pena comprar uma CPU topo de linha e ter uma placa com chipset de entrada, deixando o cérebro do PC subutilizado.
Por fim, mesmo com tudo certo, pode ser necessário atualizar a BIOS para que o processador funcione. É comum gerações de processadores posteriores ao lançamento de uma série de chipset precisarem de BIOS específica para funcionarem. Então verifique se a sua já está na versão correta.
2. Relação entre preço e desempenho
O mercado de usados não tem regras de preço. É comum encontrar processadores topo de linha de 5 anos atrás por um preço similar a um modelo intermediário novo. Um Ryzen 7 5800X usado pode ser encontrado por cerca de R$ 1.500, por exemplo, e tem desempenho em jogos inferior a um Ryzen 5 9600X custando a mesma coisa, que ainda oferece tecnologias mais recentes e maior eficiência energética.
Fique de olho em testes de canais com respaldo para garantir que a economia no preço se traduza em um bom desempenho. Se mantenha informado para que não seja passado a perna em uma negociação.
3. Verificação do estado físico
Processadores são peças robustas e muito raramente apresentam problemas, mas o manuseio incorreto pode danificá-los permanentemente. Diferente de placas de vídeo, conseguimos verificar na hora da negociação (se for presencial) como está seu estado físico. Nos modelos da AMD AM4 (socket PGA), a atenção deve ser total aos pinos, verificando se não há nenhum torto ou quebrado. Já nos processadores da Intel (soquete LGA), a inspeção se concentra nos contatos dourados e nos pequenos componentes da placa, buscando por arranhões ou danos.
Vale lembrar que os Ryzen 7000, 8000 e 9000 não contam mais com os pinos e são como os Intel Core. Em ambos os casos, é importante olhar a placa (PCB na parte inferior) em busca de rachaduras e o protetor metálico (IHS) por riscos muito profundos, que podem indicar processos arriscados como o “delid“.
4. Segurança na compra
A regra de ouro é: compre em lugares que ofereçam proteção ao comprador. Plataformas como Mercado Livre e OLX garantem a devolução do dinheiro caso o produto não funcione, oferecendo um prazo de 7 dias para testes, o que é essencial. Evite negociações diretas via redes sociais ou WhatsApp, pois não oferecem nenhuma garantia. Verifique sempre o histórico e a reputação do vendedor, pois isso é um forte sinal de confiança.
5. Testes após a compra
Com o processador instalado, a primeira ação é a verificação. Use programas como o CPU-Z para confirmar se o modelo recebido é o que você comprou e se as especificações batem com o site oficial do produto. Em seguida, passe para os testes de desempenho com softwares como o Cinebench, comparando a pontuação com resultados na internet para ver se está dentro do esperado.
A etapa final é o teste de estresse e temperatura. Utilize o Prime95 ou AIDA64 para levar o processador ao limite e monitore as temperaturas. Se o computador travar ou a temperatura subir demais (acima de 95°C, ou até menos caso tenha um bom cooler), pode haver um problema, principalmente se a pasta térmica foi aplicada corretamente.

Nesses casos, o problema é interno. Um delid mal executado, por exemplo, pode causar danos irreversíveis ao processador. Além disso, se ele operou sob carga pesada e estressado com temperaturas altíssimas por muito tempo, existe um risco (embora baixo) de que a CPU pode ter queimado.
Conclusão
Placas de vídeo e processadores usados são uma ótima saída para um orçamento apertado. Se você conseguir executar cada uma das dicas acima, vai evitar dores de cabeça e garantir um bom componente para sua necessidade, livre de defeitos e problemas para rodar seus jogos e programas tranquilamente.
O ideal é sempre ir com peças novas, com a garantia de que está funcionando, e mesmo que tenha um defeito, a troca é feita imediatamente. Porém encontrando o vendedor certo, sua peça usada pode render muito também.
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