Depois dos chips, empresas de IA agora disputam HDs e SSDs

Tecnologia
Resumo
  • A demanda por IA pressiona o mercado de armazenamento, afetando a oferta de HDs e SSDs e elevando prazos de entrega.
  • Empresas de IA migram para SSDs QLC, criando tensão na cadeia produtiva e potencial escassez para o consumidor.
  • Pressão por infraestrutura de IA eleva preços de componentes como DRAM, impactando custos de PCs e notebooks.

A expansão acelerada da inteligência artificial começa a gerar efeitos colaterais fora do radar do consumidor comum. Depois de pressionar o mercado de chips, memórias e placas aceleradoras, a demanda dos data centers agora alcança um dos pilares mais básicos da computação: o armazenamento.

Relatórios recentes do setor indicam que empresas focadas em IA estão absorvendo volumes cada vez maiores de discos rígidos e SSDs corporativos, reduzindo a oferta disponível e elevando prazos de entrega a níveis inéditos. O impacto pode chegar ao usuário final mais cedo do que se imaginava.

Armazenamento entra na mira da IA

Fabricantes de hardware e semicondutores já vinham enfrentando dificuldades para acompanhar a explosão de pedidos vindos de projetos de IA. Agora, o problema começa a aparecer também nos sistemas de armazenamento. Segundo dados do mercado asiático, o tempo de entrega de discos rígidos empresariais já ultrapassa dois anos em alguns casos.

Diante desse cenário, muitas empresas de IA decidiram não esperar pela normalização do fornecimento de HDs. A alternativa tem sido migrar rapidamente para SSDs, mesmo que isso implique mudanças no perfil de desempenho. Para conter custos, essas companhias estão priorizando unidades baseadas em memória QLC NAND, mais baratas, porém menos duráveis e velozes que as versões TLC.

Esse movimento, embora estratégico para os data centers, cria um novo ponto de tensão: a maior parte dos SSDs voltados ao mercado consumidor já utiliza QLC justamente para manter preços acessíveis. Com a indústria disputando o mesmo tipo de componente, a pressão sobre a cadeia produtiva se intensifica.

Falta de SSDs à vista?

Analistas do setor avaliam que a demanda concentrada em SSDs QLC por grandes operadores de data centers nos Estados Unidos, Canadá e China pode resultar em escassez para o varejo. Caso isso se confirme, os preços de unidades de armazenamento para PCs e notebooks tendem a subir, agravando um cenário já marcado por hardware caro.

As projeções indicam que, se o ritmo atual se mantiver, os SSDs QLC devem superar os modelos TLC em volume total de vendas até o início de 2027. Seria uma virada relevante para o mercado, impulsionada não pelo consumidor, mas pelas necessidades da IA em larga escala. Há sinais, inclusive, de que empresas do setor já estejam formando estoques preventivos, ocupando a capacidade produtiva de alguns fabricantes até 2026.

O problema não se limita ao armazenamento. A corrida pela inteligência artificial tem pressionado toda a infraestrutura de data centers, de CPUs e memória até redes de alta velocidade. O preço da DRAM, por exemplo, registrou alta próxima de 50% em poucas semanas, enquanto operadores de grandes centros de dados recebem apenas parte do volume contratado, mesmo pagando mais caro.

Com fabricantes direcionando linhas de produção para componentes mais lucrativos ligados à IA, o mercado de consumo pode enfrentar novos períodos de escassez. O resultado é um efeito dominó que começa nos data centers e termina no bolso do usuário comum.

Depois dos chips, empresas de IA agora disputam HDs e SSDs