
O jogo narrativo no estilo Telltale, Dispatch, chegou ao Nintendo Switch nesta quarta-feira (28), mas não sem polêmicas. O título é recheado de comédia e conteúdo adulto, incluindo nudez e sons sugestivos. Quando o game chegou para PC e PlayStation 5 em 2025, os jogadores podiam escolher entre ativar ou não uma opção para censurar certas cenas e retirar áudios picantes. No entanto, parece que esta função de censura vem ativada de fábrica nos consoles da Nintendo e, não, não tem como desativá-la.
Quem viveu ou acompanhou as notícias sobre os videogames nos anos 90 e 2000 sabe que a Big N mantinha uma postura rígida com relação a conteúdos adultos e violentos em suas plataformas. Basta se lembrar da ausência de sangue na versão de Mortal Kombat para o SNES, isso sem falar dos Fatalities.
Devido a essas práticas, a Nintendo ficou amplamente conhecida por abrigar apenas “jogos de criança”, mas se distanciou desse rótulo com o tempo. Agora, 30 anos depois, a gigante japonesa volta a se envolver em casos de censura.
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“Diferentes plataformas têm diferentes critérios de conteúdo, e as submissões são avaliadas individualmente”, afirmou a desenvolvedora de Dispatch, a AdHoc Studio, em comunicado ao portal Eurogamer.
O estúdio garantiu que a experiência de jogabilidade e a narrativa principal se manterão intactas: “Trabalhamos com a Nintendo para garantir que o conteúdo do título atendesse aos critérios para lançamento em suas plataformas, mas a trama e o gameplay permanecem idênticos ao lançamento original”.
Nintendo censored the cover art for Dispatch 😭💀 pic.twitter.com/6ZLPYutAlo
— DomTheBomb (@DomTheBomb) December 20, 2025
Além dos palavrões censurados, toda a nudez do jogo foi coberta por barras pretas incômodas e desproporcionais em certos momentos, e alguns efeitos sonoros sugestivos foram silenciados. Não foi apenas o jogo de Dispatch que sofreu com as mudanças. A AdHoc Studio lançou conteúdos adicionais, incluindo artbook e pacotes de HQs digitais. A arte desses extras, que mostrava os personagens do game em uma festa na piscina, também foi censurada.
Jogadores se irritam com censura de Dispatch
A censura nas versões de Dispatch para o Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 gerou revolta entre os fãs. Vários usuários em redes sociais, como X e Reddit, entraram em contato com o suporte da Big N para pedir reembolso, afirmando que a página do jogo na eShop não indicava os cortes de conteúdo (atualmente, há uma nota ressaltando as modificações).
A AdHoc também foi criticada pelas barras pretas usadas em cenas de exposição de partes íntimas ou de cunho sexual. As tarjas nem sempre são bem ajustadas e, em certos momentos, ocupam grandes espaços na tela. O elemento deve ser incômodo, principalmente para quem está experimentando Dispatch no modo portátil.
“Pelo menos façam a censura um pouco mais sutil, por que o que é isso?! [A censura] Está por toda a minha tela. Eu comprei este jogo na pré-venda e estava muito empolgado para jogá-lo no meu Nintendo Switch 2, mas esse tipo de censura estraga tudo para mim”, contou um usuário no X.
O corte do conteúdo adulto é um duro golpe na comunidade de Dispatch que esperava pôr as mãos na experiência para o console da Nintendo. Essas cenas picantes não eram jogadas a esmo, tinham um propósito, fosse para um momento mais engraçado ou para desenvolver a relação entre os personagens — afinal, todos são adultos.

No ano passado, desenvolvedores de Dispatch, como o roteirista Pierre Shorette, revelaram o corte de cenas sexuais durante o desenvolvimento e admitiram arrependimento. Em entrevista ao site Inverse, Shorette afirmou: “Definitivamente cortamos algumas cenas de sexo. O que, em retrospecto, não deveríamos ter feito”.
Vários jogadores também apontaram o fato de que a eShop abriga diversos jogos shovelware com ‘hentai’ no título, muitos deles com imagens geradas por Inteligência Artificial generativa. Apesar de não sabermos ao certo se esses jogos contam ou não com alguma imagem explícita, é um ponto curioso.
Por que Dispatch sofreu censura no Nintendo Switch?
Não ficou claro de quem partiu a decisão de censurar os trechos adultos do game. Muitos jogadores criticaram a Nintendo pela possibilidade de a japonesa ter exigido concessões de conteúdo, enquanto a desenvolvedora foi criticada por supostamente ter cedido fácil demais às demandas da fabricante.
Muitos sites e jogadores levantam a possibilidade de que a censura tenha ocorrido por conta do CERO, o órgão de classificação indicativa do Japão, visto como um dos mais rígidos quanto à nudez e ao desmembramento. No passado, a Krafton desistiu de lançar o survival horror The Callisto Protocol no país justamente para evitar a censura do gore e do conteúdo violento.

Apesar disso, a AdHoc Studio é uma desenvolvedora independente e, mesmo contando com veteranos da Ubisoft e Telltale Games, não pode se dar ao luxo de ignorar uma das plataformas mais populares da atualidade. Curiosamente, há outros títulos com nudez, como Cyberpunk 2077: Ultimate Edition, que são censurados apenas no Japão, mas seguem inalterados no resto do mundo.
Por que a AdHoc não optou por esse caminho? Ninguém sabe. No fim das contas, pode ser uma exigência global da Nintendo, que já coleciona polêmicas envolvendo esse tipo de censura.
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