
Cumprindo o que prometeu no começo do mês, a Mozilla disponibilizou uma nova seção de configurações para gerenciar ou desativar completamente os recursos de IA do Firefox. As opções estão disponíveis na versão mais recente do navegador.
Com a adição, a empresa toma um rumo diferente de navegadores rivais, que têm forçado a integração e a ativação dessas ferramentas por padrão. As novas chaves de controle atuam nas funcionalidades generativas e interativas mais recentes da plataforma, como a tradução de sites, criação de textos alternativos para imagens, agrupamento inteligente de abas, entre outros.
A ferramenta, portanto, não se aplica a outros sistemas tradicionais de aprendizado de máquina para ranqueamento e classificação, dos quais a organização diz já usar há algum tempo.
Como desativar a IA no Firefox?
O novo painel de controles permite que o usuário bloqueie todos os aprimoramentos de uma só vez ou escolha especificamente o que deseja manter funcionando. Para desligar as ferramentas de forma definitiva, o caminho é:
- Na barra de menus, acesse o Firefox e clique em Configurações.
- Navegue até a aba lateral Controles de inteligência artificial.
- Ative a chave Bloquear aprimoramentos de inteligência artificial.

Caso o usuário queira um uso misto — como desativar o agrupamento de abas, mas manter o texto alternativo em PDFs para acessibilidade —, basta encontrar o recurso específico na mesma tela e alterar o menu suspenso para a opção “Bloqueado”.
O sistema exibe três status de funcionamento: “Disponível”, indicando que a função pode ser usada; “Ativado”, que confirma o uso; e o “Bloqueado”, que oculta e inabilita a ferramenta totalmente.
Empresa tem cautela
A introdução de uma chave de desligamento reflete o discurso de cautela que a desenvolvedora adotou desde o início do boom da IA. Ao anunciar recentemente o desenvolvimento das funções de interação com IA, a Mozilla garantiu que os usuários nunca estariam presos a um ecossistema ou teriam que lidar com uma ferramenta obrigatória.
Atualmente, o Firefox já permite acessar assistentes como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude por meio de sua barra lateral, mas com a garantia de que eles não conseguem “enxergar” o conteúdo do navegador, promessa que vem ganhando mais força com agentes de IA integrados aos programas.
Mark Surman, presidente da Mozilla, até se posta como um rebelde na indústria contra o monopólio de big techs como OpenAI, Google e Anthropic. Isso porque a empresa pretende utilizar grande parte das reservas que possui para financiar startups e desenvolvedores focados em código aberto, segurança e governança de IA.
“Acreditamos que ficar parado enquanto a tecnologia progride não é benéfico para a web ou para a humanidade. É por isso que assumimos a responsabilidade de moldar como a IA se integra à web”, afirmou a companhia.

