
Após uma enchente, é comum tentar reaproveitar eletrodomésticos que aparentemente voltaram a funcionar. No caso do fogão, o risco pode não ser imediato, mas mesmo quando “sobrevive” à água, danos internos podem comprometer sua segurança e funcionamento ao longo do tempo.
- Qual gasta mais: fogão a gás ou indução? Nós fizemos as contas
- O fogão do futuro usa bateria parecida com de carros Tesla; veja como funciona
Segundo o professor Ewaldo Luiz de Mattos Mehl, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o contato com água, especialmente a de enchentes, pode causar efeitos duradouros nos componentes.
Como a água da enchente afeta um fogão
A água pode penetrar em diferentes partes do fogão, atingindo válvulas, sistemas de ignição elétrica, sensores e conexões internas. A gravidade do dano depende do tipo de água e do tempo de exposição.
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
“A água de chuva é praticamente limpa, enquanto a água de enchentes costuma vir acompanhada por barro e outros sedimentos”, explica Mehl.
Esses resíduos aumentam o risco de corrosão e mau contato elétrico, mesmo após a secagem superficial.
Se o fogão estiver ligado no momento do contato com a água, o risco de dano irreversível é muito maior. A combinação de eletricidade e umidade pode causar curtos-circuitos imediatos.
Quando o equipamento está desligado, há mais chances de recuperação, mas isso não elimina os riscos futuros.
O perigo da oxidação

Mesmo que o fogão volte a funcionar normalmente após a limpeza inicial, processos de oxidação podem continuar acontecendo internamente.
De acordo com o professor da UFPR, quanto maior o tempo entre a exposição à água e a intervenção técnica, maiores são os danos aos componentes. A oxidação pode afetar contatos metálicos e comprometer a segurança do uso, aumentando o risco de falhas elétricas ou problemas na ignição.
O professor explica que a limpeza superficial não alcança áreas internas críticas. O recomendado é uma desmontagem completa, algo que apenas uma assistência técnica especializada consegue fazer de forma adequada.
Vale a pena consertar?
A recomendação técnica é levar o fogão a uma oficina de confiança para uma avaliação completa, incluindo limpeza e secagem internas. No entanto, o custo costuma ser elevado.
Um fogão que “sobreviveu” à enchente pode até funcionar por um tempo, mas isso não significa que esteja seguro ou livre de falhas futuras. A exposição à água compromete a vida útil do equipamento e pode trazer riscos ao usuário. Avaliar com um técnico especializado é essencial e a substituição acaba sendo a decisão mais segura.
Leia também:
- Consul lança fogões custo-benefício com maiores fornos do segmento; conheça
- Brastemp lança fogão e micro-ondas, ambos com air fryer embutida
- 5 eletros multifuncionais que economizam dinheiro e espaço na cozinha
Leia a matéria no Canaltech.

