França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

Tecnologia
Resumo
  • França substituirá Teams, Meet e Zoom pelo Visio, um app de videochamada estatal, que será a solução obrigatória até julho de 2027.
  • O Visio, baseado no Jitsi Meet, roda no navegador e usa código aberto, facilitando auditorias de segurança.
  • O app faz parte do La Suite Numérique e deve economizar cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários.

O governo da França anunciou ontem (26/01) mais um passo importante para a independência tecnológica: todos os serviços estatais usarão o Visio, aplicativo de videoconferência desenvolvido para os servidores públicos do país.

Segundo o portal Developpez.com, a iniciativa chega para substituir definitivamente soluções de fora da União Europeia até julho de 2027, descontinuando o uso de plataformas populares como Microsoft Teams, Google Meet e Zoom.

O comunicado oficial do Ministério da Economia da França destaca a mudança para proteger dados sensíveis de legislações estrangeiras e combater a fragmentação de ferramentas, que gera custos elevados de licenciamento. O cronograma de implementação prevê que grandes órgãos, incluindo o Ministério das Forças Armadas, concluam a transição já no primeiro trimestre de 2026.

Como funciona o Visio?

Imagem mostra o logotipo do Visio, app de videochamadas, em um fundo de cor branca
Visio é uma solução baseada em código aberto (imagem: reprodução/Governo da França)

O Visio utiliza como base o Jitsi Meet, um software de código aberto (open source). Segundo o Le Big Data, essa escolha técnica permite auditorias constantes de segurança por órgãos governamentais.

Outro diferencial é que, ao contrário de soluções que exigem a instalação de arquivos executáveis, a ferramenta roda apenas no navegador. Isso simplifica a gestão de TI e reduz drasticamente a chance de ataques cibernéticos em computadores estatais.

A plataforma integra tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas localmente, como o sistema de separação de fala da startup Pyannote e legendagem automática em tempo real da Kyutai, mantendo o processamento de dados em fronteiras nacionais.

Vale mencionar que o Visio é uma peça de um ecossistema maior chamado La Suite Numérique, desenhado para ser uma alternativa ao Microsoft 365. Esse pacote inclui o Tchap (mensagens instantâneas), o Grist (gestão de bases de dados) e o Nuage (armazenamento de arquivos em nuvem).

Soberania digital e economia de recursos

A estratégia francesa é se desvincular de fornecedores sujeitos ao U.S. Cloud Act — legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano solicitar acesso a dados armazenados por suas empresas, mesmo em servidores localizados no exterior.

De acordo com a revista Alliancy, para neutralizar esse risco jurídico, o Visio é hospedado na Outscale, subsidiária da Dassault Systèmes, garantindo que a infraestrutura seja operada sob leis estritamente europeias.

Do ponto de vista financeiro, a economia é grande. Estimativas oficiais projetam que a substituição de licenças proprietárias por uma solução interna poupará cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários (aproximadamente R$ 6,3 milhões).

A movimentação da França reforça uma tendência na Europa. O caso assemelha-se ao do estado alemão de Schleswig-Holstein, que no ano passado iniciou a migração de 30 mil computadores para sistemas Linux e LibreOffice.

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