Guia de Sobrevivência 2026: como fazer upgrade (ou não) com os preços nas altura

Tecnologia

Montar um PC gamer em 2026 tornou-se uma tarefa quase impossível em meio a crise. Com o preço da memória RAM e SSD aumentando sem parar devido à demanda desenfreada da indústria de IA, e os novos estoques de GPUs chegando com etiquetas de preço proibitivas, o consumidor precisa ser mais inteligente que o marketing das fabricantes.

Esse guia foca no essencial: como manter o desempenho sem cair nas armadilhas de consumo da indústria. Às vezes, você nem precisa gastar, mas não sabe. Ou ainda não explorou outras possibilidades que podem deixar tudo mais barato.

Diagnóstico: você tem FOMO ou necessidade?

A pergunta que você deve se fazer antes de abrir a carteira é: seu PC realmente não roda o jogo ou você só quer ver a taxa de FPS subir de 60 para 120? Vivemos sob a influência do FOMO (Fear Of Missing Out), o medo de estar perdendo a última tecnologia.


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Sempre avalie se você realmente precisa melhorar seu PC (Imagem: Raphael Giannotti/Canaltech)

As fabricantes vivem de criar necessidades artificiais. Se o seu setup atual entrega 60 FPS no preset Médio, segurar a compra por mais seis meses pode significar uma economia real de milhares de reais em um cenário crítico de flutuação de preços.

Antes de comprar peças novas, faça uma manutenção preventiva. Limpe seu gabinete, troque a pasta térmica do processador e placa de vídeo e formate o Windows. Muitas vezes, a sensação de lentidão é causada por problemas de software ou estrangulamento térmico, e não por hardware defasado. Assim, é possível ganhar uns FPS sem gastar um centavo (considerando que você já tenha a pasta térmica, claro).

Estratégia do notebook gamer

Historicamente, montar um desktop era sempre a opção mais barata. Em 2026, o cenário mudou. Ao montar um desktop peça por peça, você paga o preço de varejo. Ao comprar um notebook, você aproveita o preço de atacado.

Por enquanto, investir em um notebook gamer está sendo mais seguro (Imagem: Raphael Giannotti/Canaltech)

Grandes fabricantes como Dell (e sua conhecida linha Alienware), Acer e Lenovo possuem contratos de longo prazo com fabricantes de memória, o que permite blindar melhor os preços contra as crises do varejo.

Muitas vezes um notebook equipado com uma RTX 5060, tela de 144 Hz e teclado integrado sai mais barato do que comprar a mesma GPU de desktop somada a um monitor e periféricos avulsos de qualidade equivalente. Sem contar a memória RAM.

Memória RAM: o velho ainda é bom

O mercado de memórias atravessa um período de desespero. Embora a DDR5 seja o padrão atual, seu custo em 2026 está proibitivo devido à escassez de wafers, já que quase tudo está indo para IA. Para a grande maioria dos jogos, a diferença de performance real entre DDR4 e DDR5 tem pouca variação, algo, às vezes, imperceptível na prática.

Manter-se na plataforma AM4 (Ryzen 5000) ou LGA-1700 (12ª, 13ª e 14ª gerações de Intel Core) com memórias DDR4 maduras e menos caras (já que elas também encareceram) é a escolha menos pior para quem tem orçamento curto.

DDR5 está tão cara, que torna a escolha por DDR4 algo lógico (Imagem: Raphael Giannotti/Canaltech)

Não pule para a plataforma AM5 se o dinheiro estiver contado. Outra alternativa é buscar marcas menos conhecidas no Brasil via importação em sites como o AliExpress, que continua sendo uma forma de baratear o upgrade em caso de necessidade real.

Armazenamento: não compre velocidade que você não usa

Existe um exagero de marketing em torno dos SSDs Gen 5 que prometem velocidades de 15.000 MB/s. Para carregar o Windows e iniciar jogos, um SSD NVMe Gen 3 de entrada entrega uma experiência visualmente idêntica para o usuário comum. Se você não for exigente, pode até mesmo ficar nos SSDs SATA, consideravelmente mais baratos e bem melhores que HDDs.

Não gaste o que é cobrado por unidades topo de linha se o seu PC, em geral, tiver um nível mais modesto de desempenho. O ganho de frações de segundo no carregamento não justifica o custo extra que poderia ser investido em poder bruto para jogos em placa de vídeo ou processador.

Velocidade extrema não é algo necessário no momento de crise (Imagem: Raphael Giannotti/Canaltech)

Mercado de usados: o tesouro escondido

Plataformas como OLX, Facebook Marketplace e fóruns especializados são minas de ouro para quem sabe o que procurar. Com entusiastas fazendo upgrades (agora na medida do possível), componentes de gerações anteriores, seja em GPU, CPU, RAM ou SSD, inundam o mercado de usados com preços excelentes.

O custo por frame dessas peças é imbatível, considerando que elas estejam em bom estado e, claro, que o vendedor seja justo no preço. Um cuidado especial e necessário precisa ser com restos mortais de placas de vídeo usadas em mineração anos atrás, embora o risco em 2026 seja menor do que foi no passado.

A nuvem como ponte

Se o seu hardware falhou e uma peça nova custa o valor de um aluguel, considere o Cloud Gaming. Serviços como GeForce Now ou Xbox Cloud permitem jogar títulos pesados por uma mensalidade acessível. Com a velocidade da internet cada vez maior e mais estável, esse tipo de experiência está ficando cada vez mais perto do nativo (rodando jogos no hardware).

Jogue por streaming até que os preços de hardware baixem ou até que você junte o valor necessário para um upgrade que realmente valha a pena.

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