Holding alemã proíbe uso de power banks em voos

Tecnologia
Resumo
  • Grupo Lufthansa proibiu o uso de power banks em voos por segurança, afetando todas as suas companhias aéreas.
  • Power banks devem ficar ao alcance do passageiro, não podem ser despachados e há limite de duas unidades por pessoa.
  • Outras companhias, como Air China e Emirates, têm regras semelhantes, restringindo o uso de power banks durante o voo.

A partir desta quinta-feira (15/01), o Grupo Lufthansa adota uma nova política de segurança para o transporte de baterias portáteis — os populares power banks. A medida proíbe o uso do acessório para recarregar smartphones, tablets ou laptops durante o voo, e vale para todas as companhias aéreas do conglomerado.

Além da própria alemã Lufthansa, integram a holding as companhias SWISS (Suíça), Austrian Airlines (Áustria), Brussels Airlines (Bélgica), Air Dolomiti (Itália), ITA Airways (Itália) e Eurowings (Alemanha). A nova regulamentação altera a logística dentro da cabine: os dispositivos não podem mais ser guardados nos compartimentos superiores (overhead bins).

Agora, eles devem permanecer ao alcance físico ou visual do passageiro durante todo o trajeto, seja no bolso do assento à frente, junto ao corpo ou em uma bagagem de mão posicionada embaixo do assento.

Segundo o comunicado, o objetivo é evitar que uma bateria superaquecida passe despercebida dentro de uma mala fechada no bagageiro. No começo da semana, noticiamos aqui no Tecnoblog o caso de um power bank que emitiu fumaça com gases tóxicos durante um voo.

Pelas novas regras, cada passageiro está limitado a levar no máximo duas baterias portáteis, e o despacho desses itens na bagagem de porão segue estritamente proibido. A decisão alinha os protocolos da empresa às recomendações mais recentes de autoridades internacionais, como a EASA (Europa) e a FAA (EUA), visando reduzir riscos de incêndio e garantir uma resposta rápida da tripulação em caso de incidentes.

Qual o risco das baterias externas durante o voo?

Assim como na Emirates, passageiros não poderão usar ou recarregar power banks a bordo (imagem: reprodução/Emirates)

A principal preocupação técnica é o fenômeno conhecido como “fuga térmica”. Esse processo ocorre quando as células de uma bateria de lítio entram em colapso devido a defeitos, danos físicos, curto-circuitos ou temperaturas extremas.

Quando a fuga térmica acontece, a bateria libera uma quantidade significativa de energia em segundos, gerando calor intenso, gases tóxicos e chamas. O fogo resultante é quimicamente complexo e difícil de ser extinto com os agentes convencionais disponíveis a bordo.

Ao proibir o uso durante o voo, a companhia elimina dois fatores de estresse para o componente: o calor gerado pela transferência de energia e o risco de sobrecarga. Além disso, a obrigatoriedade de manter o dispositivo próximo ao passageiro tem uma função estratégica: qualquer anomalia, como fumaça ou aquecimento, é percebida quase imediatamente.

Especificações e exceções

A nova política estabelece critérios técnicos claros para o embarque:

  • Até 100 Wh: permitido sem necessidade de aviso prévio (limite de duas por pessoa);
  • Entre 100 Wh e 160 Wh: o passageiro deve solicitar aprovação prévia da companhia aérea antes do embarque;
  • Acima de 160 Wh: proibido tanto na cabine quanto no porão.

Vale ressaltar que as mesmas regras de armazenamento e proibição de recarga se aplicam aos cigarros eletrônicos (vapes). Contudo, há uma exceção importante: dispositivos médicos essenciais que dependem de baterias externas continuam autorizados a funcionar durante o voo, sujeitos a verificação.

Outras companhias aéreas já fizeram o mesmo

O movimento do Grupo Lufthansa não é isolado. Outras grandes empresas já possuem regras semelhantes ou até mais restritivas. A Air China, por exemplo, proíbe o uso de power banks durante todo o voo e é rígida na inspeção: exige que os dispositivos tenham a capacidade e voltagem claramente impressas na carcaça, sob pena de confisco.

A Emirates também veta o despacho e restringe o uso conectado durante etapas críticas do voo (decolagem e pouso). Na Europa, a TAP Air Portugal segue a linha de proibir o despacho e limitar a potência das baterias de mão.

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