
Resumo
- Três grandes grupos de mídia dos EUA processaram o Google por monopólio em anúncios digitais, alegando violação de leis antitruste.
- O Google é acusado de amarrar suas ferramentas de anúncios, dificultando a concorrência e diminuindo receitas de veículos de mídia.
- No Brasil, o Cade investiga práticas semelhantes do Google, com foco em coleta de dados e impacto de ferramentas como “Zero-Click”.
Três grupos de mídia dos Estados Unidos entraram com processos contra o Google, acusando a empresa de violar leis antitruste e monopolizar anúncios digitais. As ações foram iniciadas pela Vox Media (dona do The Verge e New York Magazine), The Atlantic e Penske Media (proprietária da Rolling Stone, Billboard e Variety).
O movimento coordenado ocorre na esteira de uma vitória histórica do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), que recentemente convenceu um tribunal federal de que o Google manteve um monopólio ilegal nos mercados de servidores de anúncios e bolsas de publicidade (ad exchanges).
Segundo as empresas, o domínio da big tech diminuiu os preços dos espaços destinados à publicidade nos veículos, desviando receitas que deveriam financiar o jornalismo para os cofres do Google. Para a Vox Media, na ausência do Google a empresa poderia até mesmo “disponibilizar impressões de maior qualidade” e investir mais no que chama de “jornalismo premium”.
O que os veículos dizem?

As ações detalham como o Google teria amarrado suas ferramentas de compra e venda de anúncios para impedir a concorrência. A juíza Leonie Brinkema já havia decidido, no início de 2025, que a empresa ligou ilegalmente seus produtos, dificultando que editoras mudassem de fornecedor.
Para os grupos de mídia, isso criou um cenário onde não há poder de negociação. Lauren Starke, chefe de comunicações da Vox Media, afirmou em comunicado que o objetivo é buscar reparação financeira e o fim de “práticas enganosas e manipuladoras” que privaram a empresa de receita por mais de uma década. Anna Bross, do The Atlantic, reforçou que a ação visa “nivelar o campo de jogo” para as indústrias de publicação e publicidade.
O Google, por meio da porta-voz Jackie Berté, classificou as alegações como “sem mérito” e defendeu que seus produtos são escolhidos por serem “eficazes, acessíveis e fáceis de usar”.
Imprensa brasileira também vê monopólio
O debate sobre o domínio do Google não se restringe aos Estados Unidos. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também apura condutas semelhantes.
Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), o Google coleta dados massivos de navegação e comportamento. Essas informações são usadas para tornar sua própria oferta publicitária — via AdSense, Ad Manager e Ad Exchange — mais segmentada e lucrativa do que qualquer concorrente poderia oferecer.
Para a associação, mecanismos como o “Zero-Click” (respostas diretas na busca) e os resumos de Inteligência Artificial (AI Overviews) agravam esse cenário. Ao reter o usuário na plataforma do Google, a big tech estaria impedindo que o leitor chegue ao site do jornal.

O processo no Cade, que tramita desde 2019, ganhou novo fôlego em 2025. Após propostas de arquivamento e avocação (quando o Tribunal chama o processo para si), o inquérito foi reaberto para colher subsídios técnicos da sociedade civil, especialmente considerando o impacto das novas ferramentas da IA.

