
Resumo
- The Document Foundation critica Microsoft por dificultar implementação do OOXML, que possui especificações complexas e documentação extensa;
- Entidade também afirma que OOXML depende de elementos proprietários e componentes específicos do Windows, dificultando implementações alternativas;
- Segundo a The Document Foundation, o OOXML não pode ser considerado, de fato, um padrão.
Desenvolver um pacote de produtividade não é tarefa fácil, pois vários softwares complexos fazem parte do projeto. Mas os desenvolvedores do LibreOffice têm um desafio adicional: oferecer suporte aos formatos do Office. Não por acaso, a The Document Foundation voltou a criticar a Microsoft por dificultar esse trabalho.
The Document Foundation é o nome da organização responsável pelo LibreOffice. Aliás, a versão 26.2 do LibreOffice foi lançada na semana passada, trazendo, entre várias novidades, suporte melhorado a formatos do Office.
Soa repetitivo, pois toda nova versão do pacote traz anúncios relacionados ao Office. Mas não poderia ser diferente: os desenvolvedores do projeto se esforçam para fazer arquivos do Office serem tratados corretamente no LibreOffice, mas não recebem nenhum apoio da Microsoft para isso.
Na verdade, a The Document Foundation não espera um apoio direto, mas que a Microsoft torne o OOXML (Office Open XML) uma especificação realmente aberta e que segue boas práticas de desenvolvimento. Isso permitiria uma compatibilidade real com suítes de terceiros.
O que há de errado no OOXML?
O OOXML é mantido pela Microsoft como um padrão de formatos de arquivos que é implementado principalmente nos softwares do Office. É de lá que surgem formatos como DOCX (Word), XLSX (Excel) e PPTX (PowerPoint).
Apesar de ser descrito como um padrão aberto (observe a palavra “Open” no nome completo), o OOXML nem sempre é visto como tal, pois tem uma série de limitações. As mais importantes foram citadas na crítica publicada recentemente pela The Document Foundation.
No texto, a organização afirma que o OOXML tem especificações muito complexas, com a sua documentação envolvendo cerca de 7.000 páginas, o que dificulta a sua implementação por terceiros.
Além disso, o texto aponta que os aplicativos do Microsoft Office não implementam os formatos seguindo a versão padronizada da documentação (ISO/IEC 29500 Strict), mas uma variação “Transicional” que adiciona suporte a formatos legados, trazendo o efeito de dificultar o trabalho com arquivos resultantes em suítes alternativas.
Também há críticas sobre o OOXML ter dependência de elementos proprietários ou não documentados de versões antigas do Office (dos quais somente a Microsoft compreende), bem como de componentes específicos do Windows, que dificultam ou até impossibilitam implementações multiplataforma.

Diante desses e de outros pontos observados no texto, a The Document Foundation não considera o OOXML, de fato, um formato padronizado:
Infelizmente, continuo lendo sobre defensores do software de código aberto que alegremente usam os formatos proprietários da Microsoft, DOCX, XLSX e PPTX, para seus documentos e, assim, preferem softwares proprietários como o OnlyOffice ao LibreOffice. Outros escrevem coisas absurdas como: “OOXML é um formato padrão e temos que aceitá-lo”.
Gostaria, portanto, de aproveitar esta oportunidade para esclarecer, de uma vez por todas, por que OOXML nunca foi, não é e nunca será um formato padrão, a menos que a Microsoft decida redesenhar completamente os aplicativos do Office.
Italo Vignoli, da The Document Foundation e LibreOffice
Vale lembrar que não é a primeira vez que a The Document Foundation faz críticas diretas à companhia. Em junho de 2025, a entidade acusou a Microsoft de aplicar táticas questionáveis para “prender” usuários no Office.
Apesar das críticas, não há nada sugerindo que a Microsoft irá promover mudanças no OOXML.
LibreOffice critica Microsoft por complicar formatos do Office

