
Resumo
- Vibe coding utiliza modelos de linguagem de larga escala para desenvolvimento de software usando linguagem natural, conceito cunhado por Andrej Karpathy em 2025;
- Linus Torvalds usou vibe coding no projeto AudioNoise, especificamente no visualizador de amostras de áudio do projeto, usando o Google Antigravity;
- Torvalds aprova o uso de vibe coding para projetos menores, mas mantém métodos tradicionais em projetos críticos como o Linux.
Linus Torvalds não carrega apenas a fama de “pai do Linux”. Ele também é conhecido por seu comportamento altamente crítico. Diante disso, era de se esperar que Torvalds “demonizasse” o vibe coding. Mas não foi o que aconteceu em sua recente experiência com o conceito.
O que é vibe coding e por que o conceito é polêmico?
Vibe coding é uma expressão que descreve o uso de modelos de linguagem de larga escala (LLM) no desenvolvimento de software, de modo que o programador tenha que usar apenas linguagem natural em vez de linguagem de programação para isso. Trata-se de um termo cunhado por Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, em fevereiro de 2025.
Teoricamente, o vibe coding permite que uma pessoa desenvolva um projeto de software tendo pouco ou nenhum conhecimento sobre desenvolvimento. Mas o conceito também é visto como uma forma de acelerar ou poupar o trabalho de desenvolvedores profissionais.
A polêmica reside aí: há quem veja o vibe coding como um conceito para “preguiçosos”; outros entendem que o vibe coding pode resultar em código de baixa qualidade ou até inseguro.
Como foi a experiência de Linus Torvalds com o vibe coding?
Além de ter desenvolvido o Linux (e liderar o projeto até hoje) e o Git, Torvalds se aventura em projetos menores, ocasionalmente. Um deles é o AudioNoise, projeto de código aberto focado em efeitos de áudio digital.
Pois bem, o arquivo README.md mais recente do AudioNoise informa o seguinte em sua parte final (em tradução livre):
Note também que a ferramenta de visualização em Python foi basicamente escrita com vibe coding. Eu sei mais sobre filtros analógicos — e isso não quer dizer muita coisa — do que sobre Python.
Começou como meu típico método de programação de “pesquisar no Google e fazer o que o outro faz”, mas depois eliminei o passo intermediário — eu mesmo — e simplesmente usei o Google Antigravity para criar o visualizador de amostras de áudio.
Em outras palavras, Linus Torvalds admitiu ter usado vibe coding no desenvolvimento de um dos recursos do AudioNoise. Mas, sim, há uma razão para isso.
Grande parte do projeto foi desenvolvido em C, linguagem que Torvalds domina. Contudo, o visualizador de amostras de áudio do AudioNoise é baseado em Python, linguagem com a qual Linus é menos familiarizado. Para não perder tempo pesquisando sobre como trabalhar com o desenvolvimento desse recurso, Torvalds recorreu ao Google Antigravity.

O Google Antigravity é um ambiente de desenvolvimento lançado em novembro de 2025 como um fork do popular Visual Studio Code, mas que tem o suporte a múltiplos agentes de IA com diferencial. Trata-se de uma ferramenta que dá abertura para o trabalho com vibe coding, portanto.
Foi o que Linus Torvalds fez e, por ter reconhecido a experiência na documentação do AudioNoise, sugere ter aprovado o resultado. Não chega a ser surpresa: em novembro do ano passado, Torvalds disse não encontrar problemas no uso do vibe coding, embora tenha ressalvas sobre o uso do conceito em projetos realmente importantes.
Ao que tudo indica, essa premissa está sendo levada a sério aqui: o visualizador do AudioNoise é algo pequeno; mas o Linux em si, que é um projeto crítico, continua sendo mantido por Torvalds nos moldes tradicionais, com os desenvolvedores do projeto cuidando rigorosamente de cada linha de código.
Com informações de Phoronix

