
Resumo
- A Meta processou empresas e indivíduos por uso de deepfakes de celebridades em anúncios fraudulentos.
- Empresa notifica ex-participantes do Meta Business Partners por cloaking e serviços abusivos.
- Estudo da UFRJ revela irregularidades em 76% das publicidades de saúde no Instagram e no Facebook.
A Meta anunciou processos contra anunciantes e consultores de marketing que estariam envolvidos em fraudes usando a imagem de celebridades e marcas conhecidas. Duas empresas e quatro indivíduos brasileiros estão entre os acionados judicialmente. Segundo a empresa, um dos casos foi “uma operação de golpes que usou deepfakes de um médico famoso para anunciar produtos de saúde sem aprovação regulatória”.
A Meta não cita nomes em seu comunicado, mas nos bastidores, sabe-se que se trata do médico Drauzio Varella — ele mesmo alerta há anos sobre o uso de sua imagem em anúncios falsos. O Tecnoblog também apurou que os deepfakes usavam imagens do médico Lair Ribeiro, da cantora Maiara, do apresentador Luiz Bacci e da influenciadora Maira Cardi.
De acordo com o processo, dois brasileiros “usaram imagens e vozes alteradas de celebridades para promover produtos fraudulentos de saúde”. Também foram movidas ações legais contra uma empresa chinesa e uma vietnamita.
Cloaking e formas de burlar o sistema
O comunicado da Meta menciona a prática conhecida como “cloaking”. Trata-se de exibir um anúncio aparentemente legítimo para os sistemas de revisão da plataforma, mas distribuir um conteúdo diferente para os usuários. A companhia diz estar usando inteligência artificial para combater esse tipo de abuso.
A gigante das redes sociais enviou ainda notificações extrajudiciais a outros ex-participantes do programa Meta Business Partners. A companhia alega que eles ofereciam serviços como “desbanimento” ou restauração de contas, além de aluguel de contas para burlar sistemas de fiscalização. As mensagens têm como objetivo cessar as práticas abusivas — caso não colaborem, poderá haver medidas judiciais.
Anúncios fraudulentos são problema antigo em redes da Meta
As medidas anunciadas nesta quinta-feira (26/02) vêm depois de vários episódios negativos para a reputação da empresa.
Em novembro de 2025, uma reportagem calculou que 10% da receita da companhia vinham de anúncios fraudulentos. Um dos problemas apontados era que a companhia cobrava mais caro ao suspeitar que uma propaganda era golpe, visando inibir e afastar esse tipo de prática.
O Comitê de Supervisão da Meta considerou, em junho de 2025, que a companhia não fez o suficiente para combater golpes com deepfakes e tinha falhas em suas políticas. Esse comitê conta com relativa independência e funciona como uma espécie de Suprema Corte das redes da empresa, mas tem apenas poder para recomendar condutas.

O caso em questão envolvia um vídeo falso do ex-jogador Ronaldo, cuja imagem foi usada para promover um cassino online. O conteúdo teve mais de 600 mil visualizações, e mais de 50 denúncias apontando a propaganda como golpe não foram suficientes para a Meta retirá-la do ar.
Os anúncios envolvendo produtos de saúde são particularmente problemáticos. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou cerca de 170 mil peças publicitárias veiculadas no Instagram e no Facebook e encontrou algum tipo de irregularidade ou fraude em 76% delas.
Meta processa golpistas por uso de vídeos falsos de celebridades

