Notebook gamer em 2026: como comprar sem cair em pegadinhas

Tecnologia

Um notebook gamer tem diferentes componentes, cada um com um mundo de especificações variadas. Isso por si só faz com que dois modelos distintos, até de fabricantes diferentes, mas equipados com a mesma GPU, podem entregar desempenho diferente um do outro. É preciso ficar atento às especificações técnicas de cada modelo e saber interpretar as nomenclaturas para saber onde está pisando e não cair em uma armadilha.

Notebooks têm sido uma opção mais interessante do que PCs desktop atualmente, por conta da crise da indústria que tem afetado diferentes componentes. Pensando nisso, preparamos checklist para você ter uma noção do que é mais importante em termos de especificações em notebooks e não cair na armadilha achando que está levando o melhor pelo Real cobrado.

O que a ficha técnica não te conta (e como descobrir)

O erro mais comum é comprar pelo nome do componente. “Tem um Core i7 e uma RTX”, diz o anúncio. Mas e o TGP (Total Graphics Power, Potência Gráfica Total)? Nos notebooks modernos, a mesma placa de vídeo pode ser configurada para consumir 80W ou 140W. A diferença? A versão de 80W pode perder feio para uma placa de categoria inferior que tenha mais fôlego energético. Exemplo: uma RTX 5060 com limite alto pode alcançar ou até bater uma RTX 5070 capada.


Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.

A tecnologia Max Q da NVIDIA limita ainda mais a energia e desempenho da GPU (Imagem: NVIDIA/Divulgação)

Além disso, temos o projeto térmico. De nada adianta ter o melhor em hardware se o sistema de refrigeração não segura o calor. Quando a temperatura sobe demais, entra em cena o thermal throttling: o sistema derruba as frequências para não derreter, e seus frames vão embora junto com a estabilidade. Esse é um fator parecido com o anterior: já vi uma RTX 5050 “livre” encostar em uma RTX 4070 bastante limitada porque o notebook tentou ser um “ultrafino gamer”.

Outro vilão oculto é a falta de um MUX Switch. Sem ele, o sinal de vídeo da sua placa dedicada precisa passar pelos gráficos integrados do processador antes de chegar à tela, criando um gargalo de latência que mata o desempenho em jogos.

Checklist de comparação: onde colocar seu dinheiro

Para comparar modelos sem cair em armadilhas, siga esta ordem lógica:

Desempenho sustentado

Verifique o TGP da GPU e procure reviews que mostrem as temperaturas após uma hora de jogo. Assim, saberá a potência máxima real do chip gráfico e o quanto o sistema de refrigeração daquele determinado notebook consegue segurar altas temperaturas.

A experiência visual

Não aceite menos que um painel IPS com boa fidelidade de cores. Para competitivos, o foco é velocidade: 1080p a 140 Hz com 1ms de resposta, no mínimo. Para quem busca imersão em jogos AAA, a densidade de pixels e tecnologias de sincronia de imagem (como G-Sync e FreeSync) são prioridade, bem como resoluções maiores, como 1440p (4K em notebooks ainda é algo bem difícil).

Mesmo em um notebook gamer custo-benefício, não dá para ter menos que 16 GB atualmente (Imagem: Kingston/Divulgação)

Longevidade

Como já discutimos anteriormente, se 8 GB de VRAM já estão no limite para games pesados em 2026, imagina então os 6 GB comuns de algumas GPUs de entrada, como a RTX 4050. Se busca longevidade, mire em GPUs com mais memória. Além disso, verifique se a máquina permite upgrades fáceis de memória RAM e SSD, de preferência NVMe. Ter slots livres para expansão futura é economia no bolso, já que não precisará comprar um outro notebook porque ele suporta só 8 GB de RAM.

Custo-benefício

É importante entender qual seu perfil para escolher o melhor custo-benefício possível. Se você é gamer hardcore e trabalha com edição de vídeo, não tem como economizar em um notebook. Mas se você só joga títulos competitivos, aí sim dá para economizar bastante com uma configuração mais simples.

Qual é o seu perfil de compra?

Para facilitar, veja onde você se encaixa e o que priorizar no checklist:

O profissional

Você precisa de uma tela impecável para edição, possivelmente OLED, uma configuração poderosa para dar conta de edição de vídeo em altas resoluções e um sistema poderoso para dar conta de CPU e GPU operando no limite quase o tempo todo. Geralmente, essas são as máquinas mais potentes, principalmente porque elas também vêm com uma grande quantidade de memória RAM e SSDs super velozes.

Se dinheiro não é um problema, dá para ter o melhor notebook possível (Imagem: Razer/Divulgação)

O entusiasta gamer

Não muito diferente do perfil acima, o aqui foco é o melhor que o dinheiro pode comprar, visando os Ryzen 9000HX3D, ou ainda os Core Ultra 200 topo de linha, com GPUs GeForce RTX 50 de alto desempenho, como a RTX 5080, ou ainda a RTX 5090 (que tem desempenho próximo de uma RTX 5080 de desktop), o melhor que existe em processamento gráfico.

O gamer consciente

É o jogador que busca o equilíbrio. Ele sabe de suas limitações orçamentárias, mas entende que não dá para aceitar qualquer coisa também. Nesse caso, o ideal é ir com o mínimo aceitável, que entrega desempenho decente: uma GPU RTX 4050, um Core i5 de 13ª ou 14ª geração, 16 GB de RAM e pelo menos 512 GB de SSD. Além, claro, de uma boa tela.

Compre com a cabeça, não com o coração

Comprar um notebook exige que você olhe além do óbvio. O checklist é simples: desempenho sustentado primeiro, experiência visual depois, e sempre de olho na longevidade dos componentes. Evite o erro clássico de se encantar apenas com o nome da placa de vídeo ou o visual do notebook, aprenda a identificar os principais fatores que identificam se aquele determinado modelo é interessante ou não.

Se você quiser entender o motivo pelo qual a crise de hardware está desse jeito, fazendo com que até mesmo um notebook gamer comece a ficar mais interessante do que um PC desktop (já que sempre foi o contrário), temos diversos materiais abordando o assunto.

Veja mais do CTUP:

Leia a matéria no Canaltech.