A Acclaim Entertainment foi um dos principais pilares da indústria gaming entre os anos 1990 e 2000. Responsável por trazer obras emblemáticas como Mortal Kombat, Turok, Burnout e Crazy Taxi, o estúdio marcou a infância de muitos e está prestes a voltar em toda sua glória.
Se o logotipo multicolorido e arrojado passou pela sua frente, a possibilidade de seus jogos terem deixado memórias incríveis são altíssimas. No entanto, na mesma medida em que criaram experiências inesquecíveis, também se envolveram em diversas polêmicas.
Para compreender o que o futuro reserva para a “nova” Acclaim, hoje o Canaltech apresenta uma verdadeira viagem no tempo para que você possa relembrar a jornada épica e cheia de controvérsias da companhia — que os levou do topo à ruína completa.
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A Era de Ouro da Acclaim nos consoles
A Acclaim foi fundada em 1987 por Greg Fischbach, Robert Holmes e Jim Scoroposki com um objetivo: portar os jogos de maior sucesso nos fliperamas para consoles como o Nintendinho.

E ela não era tão grande até vir um projeto que mudou sua trajetória: Mortal Kombat. O realismo e violência exagerada já chamavam a atenção nos arcades, mas eles foram além e trouxeram uma campanha agressiva (com o perdão do trocadilho) para a chegada nos videogames domésticos.
O marketing da Acclaim foi violento (juro que é a última), com a chamada “Mortal Monday” para o dia 13 de setembro de 1993. Naquela data, eles mostraram ao mundo com ações na TV, revistas e outras mídias que o título estava disponível no SNES, Mega Drive, Game Boy e no Game Gear.
O resultado disso não foi só um dos lançamentos mais bem-sucedidos daquele ano, mas de toda a década dos anos 1990. Não se falava de outra coisa que não fosse Mortal Kombat, e eles capitalizaram bastante esta oportunidade.
Depois disso, a Acclaim foi procurada por outros desenvolvedores para que cuidasse do lançamento de seus títulos. Não é à toa que em suas mãos pousaram sucessos como NBA Jam (quem se lembra do “He’s on fire!”?) e WWF WrestleMania: The Arcade Game. Quem não queria ser o próximo sucesso?
Eles também tiveram em mãos Turok: Dinosaur Hunter, lançado no Nintendo 64 e um dos grandes marcos tecnológicos de sua época. Os primeiros Burnout, Re-Volt e jogos licenciados da Disney e dos Simpsons — como Bart vs. The Space Mutants — mostravam sua ascensão colossal e se tornaram parte de um dos maiores catálogos da década.
As milhares de controvérsias
A queda da Acclaim não ocorreu da noite para o dia. Se um evento chamado “Mortal Monday” pode ser considerado pesado, você pode imaginar o que mais eles aprontaram nos anos que vieram depois?

Após o lançamento de Mortal Kombat, o estúdio ficou mais ousado e passou a abusar de sua própria sorte. Em 1997, para promover Turok: Dinosaur Hunter, eles fizeram uma campanha que oferecia dinheiro a pais que nomeassem seus filhos como “Turok”.
Em 2002, a Acclaim despirocou de vez. No lançamento de Shadow Man: 2econd Coming eles tentaram colocar anúncios do jogo em lápides reais. Em Burnout 2, o estúdio ofereceu pagar multas por excesso de velocidade no dia de sua chegada — o que é algo muitíssimo perigoso, diga-se de passagem.
Além dessas controvérsias, outros problemas atingiram o estúdio. Um deles foi uma queda vertiginosa de qualidade de seus jogos. Muitos jogos somavam reclamações e críticas baixas da mídia especializada, o que atingiu em cheio a confiança dos consumidores, um ciclo que se repete na indústria até hoje.
Somando-se a isso dificuldades financeiras, dívidas e uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, o cenário era desolador.
O movimento final foi a saída da WWE (novo nome da WWF), que não renovou suas licenças para a produção de mais jogos para a franquia. Sem a sua “galinha dos ovos de ouro”, esse omelete queimou de vez.
O fatídico destino da Acclaim
Após ser atingida por todos esses meteoros, um seguido do outro, a Acclaim não segurou a onda e declarou falência em 2004. Sua trajetória cheia de glória e controvérsias chegou ao fim e começou uma grande corrida para ver quem ia ficar com suas propriedades intelectuais.

Um grande leilão foi organizado para vender suas principais marcas. Mortal Kombat, por exemplo, foi para as mãos da Warner Bros. Games. NBA Jam e Burnout passaram para as mãos da Electronic Arts. Já Turok passou por várias produtoras e parou recentemente nos dentes da Saber Interactive.
Ainda que repleta de polêmicas, a Acclaim não é lembrada apenas por seus erros. A companhia teve uma importância vital na indústria gaming, por levar Mortal Kombat aos consoles e trazer diversas discussões sobre a violência nos videogames e a famigerada Classificação Etária.
Certo, isso também é uma controvérsia, mas você entendeu. Burnout, Turok, NBA Jam, WWF e diversos outros brilharam demais e marcaram a infância e juventude de muitos. Como se costuma dizer, “por bem ou por mal” trouxeram memórias inesquecíveis.
O inusitado retorno da Acclaim
Em 2025, mais de 20 anos após a sua falência, subitamente a Acclaim ressurgiu. A marca foi adquirida pela Liquid Media Group e eles revelaram que vão retornar às atividades, com a promessa de uma grande reapresentação ao público.
Curiosamente, a Liquid Media Group é detentora de diversas séries e empresas do mercado de games. Eles têm sob suas asas a Majesco (Cooking Mama, BloodRayne) e franquias como Bust-a-Move — o que abre o cenário para muitas possibilidades dentro do seu guarda-chuva.
A Acclaim retorna sob um único propósito: manter seu espírito (caótico) e produzir jogos marcantes. De acordo com o novo CEO da companhia, Alex Josef, a intenção não é trazer franquias antigas. Ou seja, não conte com projetos que envolvem seus maiores clássicos.
A promessa da empresa é trazer aventuras inéditas e que vão remeter aos “bons tempos” do estúdio. No entanto, muita coisa mudou de 2004 até agora. O mercado de jogos foi dominado por Games as a Service (GaaS), microtransações e vimos uma ascensão dos estúdios independentes — que trazem títulos vibrantes, ao lado dos gigantes da tecnologia com seus AAA.
E onde a Acclaim se encaixaria neste mundo? O teaser que apresentaram mostra televisores CRT e muitos elementos do passado, que podem remeter à experiências retrô. Isso é um nicho que também cresceu ultimamente, com jogos como Narita Boy e Terminator 2D: No Fate empolgando o público.

A Acclaim aponta que seguirá um caminho de “retrofuturenostalgia”, com homenagens ao passado enquanto traça um caminho inédito para o futuro. Ainda que o público clame por remakes de Turok e Re-Volt, vale notar que o estúdio pode seguir um caminho com jogos e franquias inéditas.
A nostalgia é uma grande arma na indústria gaming, como pudemos ver com Resident Evil 4 e Final Fantasy VII Remake — uma ferramenta que o estúdio poderia usar para alcançar uma posição benéfica nesta disputada indústria.
Mas, com muitas de suas séries “vendidas”, dificilmente você verá também uma remasterização de seus jogos mais emblemáticos. Deste modo, é mais seguro apostar que eles obtiveram novos acordos para a produção de experiências inéditas que renovem a atitude pela qual foram conhecidos.
O último voo da fênix?
De grande pioneira ao fracasso completo, a Acclaim reuniu altos e baixos durante sua trajetória. E, mesmo com um fim dramático, ela ressurge em pleno 2025 para mostrar a ascensão de uma fênix entre os estúdios e produtoras.
Porém, com um mercado extremamente disputado e fãs exigentes, equilibrar seu legado cheio de nostalgia com as demandas atuais pode se tornar um verdadeiro desafio. Para sobreviverem, eles precisam aprender com seus erros e acertos, algo que nem sempre é tão simples de ser executado.

A Acclaim original viu a tela de Game Over em 2004, mas uma nova ficha surgiu (demorou, mas ela veio) para que eles possam continuar dentro do jogo. Só resta saber se nesta partida eles vão atingir um high score memorável ou se veremos um segundo fim meteórico em sua jornada.
As respostas para o que virá e como eles lidarão com toda esta pressão começará a ser revelada no próximo mês.
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