
Resumo
- OpenAI deve cobrar cerca de US$ 60 (R$ 316) por mil visualizações em anúncios no ChatGPT, valor até três vezes superior ao do Google e Meta.
- Segundo o The Information, dados de desempenho dos anúncios serão limitados para manter privacidade, sem rastreamento detalhado.
- Por enquanto, a empresa de Sam Altman indica somente os EUA como mercado a receber anúncios.
Anunciar nos espaços para publicidade no ChatGPT não vai custar barato: a companhia estaria pedindo cerca de US$ 60 (cerca de R$ 316, em conversão direta) a cada mil visualizações (CPM) para as marcas interessadas em aparecer nas respostas do chatbot.
De acordo com o site The Information, que reportou inicialmente a introdução do modelo de negócios pela OpenAI, o valor é significativamente mais alto do que a média do mercado: estima-se que seja o triplo do que costuma ser cobrado por publicidade nas plataformas da Meta (Facebook e Instagram).
A OpenAI anunciou o início dos testes para incluir publicidade nas versões gratuita e Go do ChatGPT em 16 de janeiro, encerrando meses de especulação. Por enquanto, a empresa indica apenas os Estados Unidos como mercado a receber anúncios.
Preço alto e dados limitados
Apesar de cobrar um dos valores mais altos da indústria de mídia digital, a empresa não oferecerá — ao menos inicialmente — o mesmo nível de rastreamento detalhado que concorrentes como Google e Meta entregam.
Segundo a reportagem, os primeiros anunciantes do ChatGPT receberão apenas dados de “alto nível” sobre o desempenho das campanhas, como o número total de visualizações ou cliques. Outras métricas tão relevantes quanto as do marketing digital, como saber se o anúncio se converteu em venda, não estarão disponíveis.

A limitação seria uma forma da OpenAI manter de pé o discurso sobre a privacidade no chat dentro desse modelo de negócios. Ao anunciar a chegada da publicidade, a OpenAI garantiu que não venderá dados para anunciantes e que manterá o conteúdo das conversas privado, o que impede o uso de rastreadores invasivos para monitorar o comportamento de compra.
Uma das maiores preocupações da empresa durante as discussões sobre a implementação do modelo seria justamente a confiança dos usuários.
Esse receio, no entanto, vai além da OpenAI. Em entrevista recente, o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que o modelo de publicidade exige cuidado extremo e indicou que, se mal implementados, os anúncios podem contaminar as respostas dos chatbots.
OpenAI quer aumentar receita
A pressa em monetizar o serviço gratuito pode ter uma motivação. Antes do anúncio oficial da nova fonte de receita, Sebastian Mallaby, colunista do New York Times, analisou a situação financeira da companhia de Sam Altman e sugeriu um cenário delicado.
Ele aponta que, embora a tecnologia desenvolvida pela empresa seja concreta e funcional, há o risco de o caixa se esgotar antes que o negócio alcance a lucratividade. O texto cita projeções divulgadas pelo The Information, segundo as quais a OpenAI poderia “queimar” mais de US$ 8 bilhões (R$ 42,2 bilhões) apenas em 2025, com prejuízos acumulados que podem chegar a US$ 40 bilhões (R$ 211,2 bilhões) até 2028.
Em cerca de 18 meses, sugere o colunista, a empresa poderia enfrentar dificuldades severas de caixa, o que explicaria a movimentação agressiva para testar anúncios mesmo correndo o risco de desagradar a base de usuários.
OpenAI deve cobrar até três vezes mais que rivais por anúncios no ChatGPT

