Um estudo publicado na Communications Earth & Environment revelou que, no Mar do Norte, pedaços gigantes do fundo do mar estão de cabeça para baixo. Cientistas identificaram centenas de grandes estruturas de areia, chamadas sinkites, que desafiam princípios fundamentais da geologia e podem transformar a forma como entendemos os processos subterrâneos e a captura de carbono.
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Os sinkites são enormes corpos de areia que, ao contrário do esperado, afundaram em direção a camadas mais antigas e leves, invertendo a ordem natural das formações geológicas. Normalmente, rochas mais novas ficam sobre rochas mais antigas, seguindo o curso natural do tempo e da deposição.
No entanto, no caso dos sinkites, o movimento foi o contrário: a areia mais densa e jovem afundou, empurrando para cima camadas mais antigas e porosas compostas por fósseis microscópicos marinhos. Essas camadas mais leves que “flutuaram” foram apelidadas pelos pesquisadores de floatites.
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Essa inversão em larga escala recebe o nome de inversão estratigráfica e, até agora, nunca havia sido documentada em tamanha proporção.
Como eles se formaram?
Os pesquisadores acreditam que esses bancos de areia se formaram há cerca de 5 a 10 milhões de anos, entre o final do Mioceno e o Plioceno. Durante esse período, terremotos ou mudanças repentinas na pressão subterrânea podem ter causado a liquefação da areia, que afundou através de fraturas naturais do fundo marinho.
Com isso, as camadas mais leves foram deslocadas e acabaram subindo, criando montes gigantes escondidos sob o leito do mar. Com o passar de milhões de anos, novos sedimentos cobriram toda a estrutura, moldando o fundo oceânico que conhecemos hoje.

Importância para energia e captura de carbono
Entender como os sinkites e floatites se formam pode impactar diretamente áreas estratégicas como a exploração de petróleo e gás, além da captura e armazenamento de carbono.
Segundo o professor Mads Huuse, da Universidade de Manchester, os resultados mostram que fluidos e sedimentos podem se mover de maneiras inesperadas na crosta terrestre, alterando a estabilidade de reservatórios subterrâneos. Isso significa que os sinkites podem indicar áreas seguras (ou de risco) para armazenar dióxido de carbono e explorar recursos energéticos.
Apesar do entusiasmo, a descoberta ainda gera debate na comunidade científica. Alguns pesquisadores são céticos quanto à aplicabilidade do modelo em outras regiões do planeta. No entanto, a equipe de Manchester continua mapeando novos exemplos de sinkites no Mar do Norte e em outras áreas, para comprovar a consistência do fenômeno.
Com o avanço da pesquisa, será possível entender melhor como o fundo do mar se reorganiza ao longo do tempo e como esses processos podem ser utilizados em benefício da sociedade, especialmente em relação à transição energética e ao armazenamento seguro de carbono.
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