
Em 2004, muitos fãs de Pokémon ligavam seu Game Boy Advance e ouviam o clássico som da moeda de Super Mario. Logo em seguida, iniciavam a sua aventura em Pallet Town — em cores vibrantes, com movimentos e de uma forma muito mais ampla que a vista nas versões originais de Game Boy.
Pokémon FireRed e LeafGreen são remakes de Red, Blue e Green e conquistaram toda uma geração com suas próprias forças. Não era apenas uma releitura das aventuras que começaram tudo, mas uma verdadeira renovação daquilo que mais encantou os fãs nos anos 1990.
No entanto, isso tudo deixará de ser apenas uma memória. A Nintendo confirmou o lançamento destes títulos no Nintendo Switch e atende aos anseios do público — sejam daqueles que desejavam dar os primeiros passos nas aventuras ou os que sonhavam em relembrar o clássico.
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E este retorno não poderia ser mais glorioso. Pokémon FireRed e LeafGreen não são “simples ports”, mas sim um verdadeiro resgate histórico. Foram os dois jogos de GBA que definiram o que é um remake de qualidade e ainda assim a Nintendo os manteve na geladeira por 2 décadas.

Por que FireRed e LeafGreen são tão especiais?
Os remakes de Game Boy Advance trazem a versão definitiva de Kanto, com os 151 monstrinhos clássicos e a aventura mais emblemática de todas: que mostrava a jornada de Red para capturar todos, enquanto impede o avanço da Equipe Rocket e conquista suas 8 insígnias.
E por qual razão não seria possível fazer isso também com Red & Blue, os originais? Apesar de serem jogos bons, eles são extremamente datados: há uma quantidade absurda de bugs, mecânicas obsoletas e a experiência 8-bit não é tão atrativa para o público geral atualmente quanto foi nos anos 1990.
O quanto Pokémon FireRed e LeafGreen acrescentaram aos originais não está escrito. Mecânicas como as Abilities e Natures modernizaram como víamos os clássicos, assim como os gêneros dos monstros de bolso abriam espaço para a presença de Breeding e dos Eggs Moves.

Além disso, os remakes possuem o melhor pós-game de toda a franquia: as Ilhas Sevii. Além de servirem para expandir a sua Pokédex das 151 criaturas clássicas, elas trazem mais histórias e áreas inéditas que enriquecem ainda mais toda a profundidade da narrativa.
Outro aspecto positivo de Pokémon FireRed e LeafGreen é o seu estilo em pixel art, que representa o auge artístico da Game Freak — que envelheceram melhor do que títulos tridimensionais como X & Y e Sun & Moon.
Para muitos fãs, os dois jogos de Game Boy Advance são a melhor maneira de visitar Kanto. Inclusive, a adição de mecânicas ao formato original supera até mesmo o que foi visto em Let’s Go Pikachu & Eevee, que simplificaram e modificaram muitos dos sistemas existentes em prol dos novos fãs.
Ferida super efetiva: o problema da preservação
O maior problema de Pokémon FireRed & LeafGreen é que ambos não eram jogáveis desde o Nintendo DS Lite, lançado em março de 2006. Além do próprio GBA, este é o único console que tem encaixe para estes cartuchos.
Na prática, o usuário teria de ir atrás das fitas originais — que custam centenas de reais no Mercado Livre e OLX — e obter um console que completa 20 anos em 2026, no mínimo. Também não sai nada barato para o bolso, diga-se de passagem.

Por mais que tenham seus erros e problemas, Red, Blue e Green (assim como Gold, Silver & Crystal) foram disponibilizados no Nintendo 3DS através do Virtual Console em 2017. Ou seja, estão mais “recentes” e quentes do que os remakes de 2004.
Além deles, a geração Game Boy Advance teve Ruby, Sapphire e Emerald — que também receberam um remake no 3DS em 2015, com Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire. Por mais que os antigos tivessem seu charme, a região continuou acessível até pouco tempo atrás.
O grande problema de tudo isso é a hipocrisia da Nintendo, que combate a emulação e pirataria com punhos de ferro. Isso significa que cada dia é mais complexo encontrar um emulador e uma ROM para jogá-los, enquanto a própria companhia não fornecia uma alternativa legal para tê-los oficialmente.
Relançar Pokémon FireRed & LeafGreen, ao lado de diversos outros que permanecem presos em suas antigas plataformas, é o mínimo que se espera de uma empresa que valoriza seu legado. Mesmo disponibilizados separadamente do Nintendo Switch Online, é uma “vitória” para os fãs.
Crise no PokéMart: A venda avulsa que pesa
Quando mencionamos vitória entre aspas, entra o contragolpe da Nintendo contra o público. Enquanto o relançamento de Pokémon Red, Blue, Yellow, Gold, Silver e Crystal custavam R$ 16,99 no ano de 2016, Pokémon FireRed e LeafGreen chegam ao Switch por R$ 120,99 — mais de 10 vezes o valor dos antigos.
É compreensível a sua venda separada do Nintendo Switch Online, já que permite a compatibilidade com serviços como o Pokémon Home e talvez até futuro suporte para trocas e batalhas com a possível chegada de Ruby, Sapphire e Emerald, mas o valor altíssimo desmotiva uma parcela da comunidade a entrar na aventura.

A disponibilidade no NSO até poderia aumentar o valor do que é oferecido no Pacote de Expansão, porém não seguiram apenas o caminho contrário, como causaram um verdadeiro alvoroço em experiências com 22 anos de estrada e que poderiam ser encontradas facilmente em emuladores — grátis, logicamente.
Porém, a chegada ao serviço criaria outro problema: o usuário nunca seria o “dono” do jogo, com a possibilidade de perder o acesso assim que deixar de pagar pela assinatura ou se ele sair do ar em algum momento no futuro. Neste caso, a preservação falharia novamente.
A compra dele (ou deles) avulsa na eShop, ao menos dá aos usuários o direito de jogar sempre que quiserem dentro da plataforma. No entanto, é importante lembrar que você terá apenas uma “licença” — que vale mais do que o NSO, mas que pode ser revogada subitamente.
Muitos esperavam por Pokémon FireRed e LeafGreen por R$ 50, mas o preço de R$ 120,99 surpreendeu por dificultar a aquisição de um deles — quem dirá dos dois simultaneamente. Mais informações sobre eles devem ser reveladas em breve, mas não há qualquer sinal da disponibilidade de itens adicionais como o Aurora Ticket e Mystery Ticket ou diferenciais do que era visto em emuladores.
Pokémon Home é obrigatório?
O charme de toda a franquia é pegar seus monstros de bolso e transferir entre gerações. Ou seja, é óbvio que a conectividade dos jogos com o serviço Pokémon Home é mais que uma exigência — é uma necessidade básica.
Para a sorte de todos, seus monstros de bolso não permanecerão “presos” em Pokémon FireRed e LeafGreen. A Nintendo declarou que ambos terão suporte futuro ao serviço, o que permitirá levar seu Charizard, Blastoise ou Venusaur de Kanto para o próximo Winds e Waves, títulos provisórios da 10ª Geração.

Para que o relançamento de Pokémon FireRed e LeafGreen valesse a pena, era imprescindível que ele se comunique com o Pokémon Home — até porque o serviço tem um modo gratuito, mas também oferece planos pagos e exige uma manutenção e suporte do que estiver disponível.
No entanto, é possível que esta compatibilidade demore bastante a acontecer. Pokémon Legends Z-A está desde outubro de 2025 sem o recurso estar disponível e, até o momento, segue sem sinais de sua chegada. A Game Freak e a The Pokémon Company costumam “enrolar” nesta questão.
O aniversário grandioso de Pokémon
São 30 anos de história das criaturas que encantaram todo o planeta e, ainda que desejemos jogos novos, revisitar alguns ícones do passado também é uma forma de abraçar os fãs. E não tem nenhum que mereça tanta atenção quanto Pokémon FireRed e LeafGreen.
A data precisa ser grandiosa e trazer Kanto de volta é o caminho mais natural possível. E por que não com a melhor versão desta icônica geração? Não apenas pela nostalgia, mas para que os novos fãs conheçam e aprendam a amar tudo o que foi construído como base no passado.
A festa deve ser o primeiro passo para uma biblioteca definitiva da franquia no Switch e no Switch 2 — e não apenas um evento isolado. E trazê-los, talvez ao lado dos demais títulos da “Era Game Boy”, seria a melhor opção possível — tanto para a Nintendo quanto para o público.
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