Preços de memória RAM só devem melhorar em 2028, prevê Micron

Tecnologia
Resumo
  • Micron prevê que preços de memória RAM só devem baixar em 2028 devido à alta demanda de aplicações de inteligência artificial;
  • Micron descontinuou marca Crucial, mas continua fornecendo memória para fabricantes como Asus e Dell, explica executivo da empresa;
  • Construção de novas fábricas pela Micron faz parte da solução, mas não terá efeito sobre o mercado antes de 2028.

Quando os preços das memórias RAM voltarão a patamares aceitáveis, digamos assim? De acordo com a Crucial, não deveremos ver melhorias significativas nesse cenário antes de 2028. A companhia vem investindo em novas fábricas para aumentar a produção de módulos, mas essa não é uma solução com efeito imediato.

Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, já havia sugerido que a escassez de memória RAM não seria resolvida neste ano. Agora, bem no começo de 2026, Christopher Moore, vice-presidente de marketing para clientes da companhia, deu uma entrevista ao WCCFTech em que forneceu previsões mais claras sobre a atual crise.

A entrevista veio na esteira de uma decisão que irritou ou decepcionou muitos consumidores: em dezembro de 2025, a Micron Technology anunciou o fim da Crucial, marca especializada em módulos de RAM e SSDs para computadores domésticos.

Dado o atual cenário, muita gente entendeu que a Micron decidiu abandonar o varejo para atender aos segmentos corporativos, especialmente no âmbito da inteligência artificial.

A demanda atual por IA é tão grande que as empresas do setor têm implementado servidores em ritmo acelerado, fazendo a demanda por RAM ser maior do que a oferta. O efeito não poderia ser outro: preços de módulos de memória nas alturas.

Mas, na entrevista, Moore tratou de explicar que, pelo menos com relação à Micron, essa impressão não é precisa: “eu nunca diria a uma pessoa sobre o que pensar ou que ela está errada, mas o nosso ponto de vista é o de que estamos tentando ajudar os consumidores em todo o mundo”, completou.

O executivo explicou que a Micron tem feito isso por meio de canais diferentes, dando como exemplo que, apesar de a Crucial ter sido descontinuada, a empresa continua fornecendo módulos de memória para fabricantes como Asus e Dell, que atendem ao segmento doméstico.

Micron não pode ignorar o setor corporativo, diz executivo

Apesar de a Micron continuar fornecendo memória para fabricantes de PCs, Christopher Moore explicou que a companhia não pode ignorar os segmentos corporativos e de data center que, antes, respondiam por cerca de 30% da demanda, mas, hoje, requerem entre 50% e 60% desse mercado. Quanto a isso, o executivo disse o seguinte:

Este não é um problema da Micron, é um problema do setor, onde nós e nossos pares ou concorrentes estamos correndo para atender a esses segmentos o máximo possível, e simplesmente não há oferta suficiente para todos.

É uma situação realmente lamentável. Mas acho muito importante que as pessoas entendam que ainda estamos atendendo ao mercado doméstico.

Christopher Moore, vice-presidente de marketing da Micron

A principal solução para o problema da escassez está no aumento da produção. A Micron tem investido em novas fábricas, mas Moore alerta que o plano de expansão da companhia não deve ter efeito sobre o mercado pelo menos até 2028, visto que a construção das fábricas e os consequentes acertos com clientes não ocorrem da noite para o dia.

É claro que a Micron não fala por toda a indústria. Existe a possibilidade, por exemplo, de empresas chinesas absorverem parte da demanda por memória e, assim, ajudarem a resolver o problema da escassez em um prazo menor. Mas, por ora, tudo indica que 2026 e 2027 ainda serão anos com demanda acima da oferta para o setor.

Não que as empresas que fabricam memória estejam descontentes com esse cenário. Recentemente, Samsung, SK Hynix e Micron registraram lucros recordes em razão da grande demanda por RAM.

Preços de memória RAM só devem melhorar em 2028, prevê Micron