
Resumo
- Qualcomm adquiriu Arduino e já vem gerando preocupações sobre mudanças na plataforma;
- Uma das queixas vem da empresa Adafruit, que afirma que novos termos de uso limitam engenharia reversa e ampliam coleta de dados;
- Em seu blog, Arduino nega mudanças em seus princípios.
No começo de setembro, a Qualcomm anunciou a aquisição da Arduino. Na ocasião, usuários ficaram preocupados com a possibilidade de o negócio “estragar” a plataforma. Pois há quem entenda que o tal estrago já começou, tudo por conta de uma polêmica atualização dos termos de uso da Arduino.
Eis uma rápida explicação para quem está por fora do assunto: a Arduino é uma organização especializada em placas com microcontroladores e outros componentes que são usadas por estudantes de programação ou eletrônica, entusiastas de automação, companhias que desenvolvem sistemas embarcados, e assim por diante.
Só para dar um exemplo, uma dessas placas é a Arduino Uno Q, que tem chip quad-core Qualcomm Dragonwing QRB2210 e até 4 GB de RAM. Esse modelo foi revelado junto com o recente anúncio da compra da Arduino pela Qualcomm, negócio que não teve seu valor revelado publicamente.
Por que já há queixas da compra da Arduino pela Qualcomm?
O assunto ganhou força com uma queixa publicada pela Adafruit Industries, empresa especializada no fornecimento de placas e componentes para soluções de hardware de baixo custo.
Usando o LinkedIn, a Adafruit afirma que os novos termos de uso e de políticas de privacidade da Arduino, em vigor há quase um mês, transformam a abordagem aberta da plataforma “em um serviço corporativo rigidamente controlado”.
Uma das queixas da Adafruit com relação às mudanças é esta:
Os usuários agora estão explicitamente proibidos de fazer engenharia reversa ou até mesmo tentar entender como a plataforma funciona, a menos que a Arduino dê permissão. Essa é uma mudança profunda para uma marca há muito tempo abraçada por educadores, criadores, pesquisadores e defensores do código aberto.
Outro aspecto polêmico está nos termos que, segundo a Adafruit, permitem à Arduino ter direito sobre os trabalhos que os usuários executarem na plataforma, como códigos, projetos e postagens no fórum oficial.
A empresa também afirma que os novos termos ampliam o alcance da coleta de dados do usuário, bem como permitem que essas informações fiquem retidas por mais tempo pela Arduino (e, consequentemente, pela Qualcomm).
Ainda nesse sentido, também há queixa a respeito de uma política sobre inteligência artificial que permite à Arduino “monitorar as contas dos usuários e o uso dos produtos de IA, incluindo, entre outros, o uso de recursos e funções, tempo de computação e armazenamento”.

O que diz a Arduino?
A publicação da Adafruit gerou tanta polêmica que a Arduino tratou de se manifestar sobre o assunto rapidamente. Em seu blog, a Arduino afirma que projetos envolvendo código aberto e engenharia reversa continuam sendo permitidos, e que os novos termos restringem apenas essas atividades em seus aplicativos de nuvens.
A Arduino também afirma que o conteúdo publicado em sua plataforma continua pertencendo ao usuário, que as políticas de privacidade e retenção de dados foram atualizadas para fins de transparência, e que a introdução de recursos de IA na plataforma exige mudanças nos termos de uso correspondentes para favorecer aspecto de segurança.
Um trecho no início da nota da Arduino diz:
Para sermos absolutamente claros: somos de código aberto muito antes de isso ser moda. Não vamos mudar agora. A aquisição pela Qualcomm não modifica a forma como os dados do usuário são tratados ou como aplicamos nossos princípios de código aberto.
O assunto ainda pode render alguns capítulos. Procurada pelo Ars Technica, a Adafruit afirma, por meio dos executivos Limor Fried e Phillip Torrone, que a postagem da Arduino ainda deixa muitas perguntas sem respostas.
A Adafruit afirma ainda ter enviado um questionamento à Arduino para esclarecer os pontos que ficaram vagos, mas que não obteve resposta até o momento.

