Taiwan: Alianças que protegem a ordem liberal

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Lin Chia-lung (*)

Escrevo este artigo sob a sombra do autoritarismo chinês, mas com a convicção de quem lidera uma nação que transformou o compromisso com a liberdade, a democracia e os direitos humanos em sua própria identidade. Ao completar 30 anos desde nossa primeira eleição presidencial direta, Taiwan consolidou-se como uma democracia vibrante e um parceiro global indispensável. No entanto, o valor que oferecemos ao mundo hoje vai além dos ideais compartilhados, ele é profundamente estratégico e prático.

Como Ministro das Relações Exteriores, tenho promovido uma transição fundamental em nossa estratégia: passamos da “diplomacia baseada em valores” para a “diplomacia de valor agregado”. Meu objetivo é mostrar que a solidariedade com Taiwan não é apenas um ato moral, mas um motor de prosperidade para nossos aliados. Taiwan funciona como um fosso que salvaguarda o Indo-Pacífico, uma região por onde circulam 50% dos navios de contêineres do mundo. Qualquer instabilidade aqui, provocada pelo expansionismo autoritário, colocaria em risco o comércio global e a ordem internacional baseada em regras.

Enfrentamos diariamente táticas de coerção econômica, infiltração e ameaças militares. Por isso, transformamos nossos desafios em expertise. Em 2025, intensificamos nossa defesa contra a sabotagem de cabos submarinos e combatemos ativamente a desinformação gerada por Inteligência Artificial (IA). Essa resiliência é um bem público que compartilhamos através de plataformas como o GCTF (Estrutura de Cooperação e Treinamento Global), ajudando outras democracias a fortalecerem sua própria segurança.

No campo econômico, nossa posição é única: produzimos 60% dos semicondutores do mundo e 90% dos chips avançados e servidores de IA. Países que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos para longe da dependência chinesa encontram em Taiwan uma alternativa segura e transparente. Diferente de modelos que geram armadilhas de dívida, nossa abordagem foca na sustentabilidade e no desenvolvimento mútuo. Estamos implementando projetos como o navio de emissão zero em Palau, o Parque Tecnológico Inteligente no Paraguai e parcerias de medicina digital no Reino de Essuatíni, na África.

Nossa aliança com os Estados Unidos é um exemplo prático dessa “diplomacia de valor agregado”. Recentemente, firmamos o compromisso de investir 250 bilhões de dólares   nas indústrias de semicondutores e tecnologia americanas, com outros 250 bilhões em garantias de crédito para apoiar nossas empresas nessa expansão. Juntos, através da Declaração Pax Silica, estamos assegurando que as cadeias de suprimentos de IA permaneçam estáveis e protegidas.

A exclusão de Taiwan de organizações como a OMS e o CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica) não é apenas uma injustiça contra nosso povo, mas uma perda para a comunidade internacional. Nossa experiência no combate à COVID-19 e nossos altos padrões de governança comercial poderiam fortalecer a segurança sanitária e econômica global.

O mundo livre precisa de Taiwan porque, ao trabalhar conosco, as nações ganham o que não podem encontrar em nenhum outro lugar: segurança reforçada, prosperidade técnica e o conhecimento vital para resistir à pressão autoritária. Seja pelo prisma dos valores ou dos interesses, Taiwan está pronto para ajudar a proteger o futuro de todos.

(*) Lin Chia-lung é Ministro de Relações Exteriores de Taiwan.

 

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