
O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou à CNBC que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já refletem o preço final de diversos itens vendidos na plataforma.
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A declaração ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e marca uma mudança de tom em relação ao cenário observado em 2025, quando a gigante do varejo não registrou altas significativas.
Segundo o executivo, o “colchão” que protegia os preços deixou de existir. A Amazon e seus vendedores terceirizados anteciparam a compra de estoques para evitar novas taxas, mas esse suprimento extra se esgotou no segundo semestre do ano passado.
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Fim da margem de manobra
Jassy explicou que, em um setor com margens operacionais de um dígito médio, como o varejo, um aumento de 10% nos custos — taxa mínima imposta por Trump sobre quase todas as importações — elimina as opções das empresas.
“Você começa a ver algumas das tarifas se infiltrando em alguns dos preços”, afirmou Jassy à CNBC. O executivo detalhou que os vendedores enfrentam um dilema: repassar os custos para o consumidor, absorver o prejuízo para manter o volume de vendas ou buscar um meio-termo.
Em abril de 2025, o CEO já havia alertado que muitas empresas “não têm uma margem extra de 50% disponível” para lidar com o cenário tarifário. Agora, com os estoques renovados sob a nova política fiscal, o repasse tornou-se inevitável para muitos comerciantes.
Mudança de comportamento
Apesar de Jassy descrever o consumidor como “bastante resiliente”, o impacto nos preços alterou a dinâmica de compras na plataforma. A Amazon notou uma tendência de “trade down”, onde os clientes trocam produtos premium por versões mais baratas e dedicam mais tempo à caça de ofertas.
Além disso, há uma retração na compra de itens de maior valor, com os consumidores adiando aquisições que não são urgentes.
Batalha judicial
O cenário econômico é agravado também pela incerteza jurídica. As tarifas, implementadas com base em poderes de emergência presidencial, são alvos de questionamentos legais.
A Suprema Corte dos EUA, atualmente, analisa a legalidade dessas medidas após ações movidas por pequenas empresas, adicionando uma camada de instabilidade ao planejamento de varejistas.
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