Tesla negou ter dados de acidente fatal, mas hacker conseguiu obter provas

Tecnologia
Resumo
  • Tesla afirmou inicialmente não ter dados de um acidente fatal em 2019, mas um hacker conseguiu extrair as informações da unidade do Autopilot do carro.

  • As informações mostraram detalhes da colisão e foram usadas no processo judicial, que resultou em condenação de US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão).

  • A empresa disse que pretende recorrer; caso foi mencionado em uma ação movida por um acionista.

Um hacker conseguiu recuperar dados captados por um veículo da Tesla envolvido em um acidente, e as informações foram usadas em uma ação judicial movida contra a montadora. A empresa disse que não tinha esses dados em seus servidores, mas conseguiu localizá-los posteriormente. Em julho de 2025, a Tesla perdeu o processo e foi condenada a pagar US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão).

O caso apareceu em uma reportagem exclusiva do jornal The Washington Post, publicada nesta sexta-feira (29/08). A colisão ocorreu em 2019 no estado americano da Flórida, envolvendo um Tesla e um carro parado e duas pessoas que estavam fora dele, deixando uma vítima fatal e um sobrevivente gravemente ferido. No momento da batida, o motorista tentava pegar um celular caído no assoalho do veículo.

Onde estavam os dados?

Os dados cruciais para entender como ocorreu o acidente estavam na unidade de controle do Autopilot do carro da Tesla. Eles só foram extraídos com ajuda de um hacker, após anos de tentativas frustradas.

De acordo com os documentos do processo, os dados foram enviados para os servidores da empresa imediatamente após a batida. O sistema enviou de volta ao carro um comando para apagar os dados locais, o que é procedimento padrão na empresa. Apesar do upload, a Tesla disse que não conseguiu localizar essas informações em seus servidores.

Nas primeiras fases da investigação, o policial responsável pelo caso chegou a levar duas unidades de controle do Tesla batido a um centro de serviço técnico da marca. Um funcionário plugou a unidade de controle de mídia em outro veículo, mas disse que os dados estavam corrompidos.

Ele também plugou a unidade de controle de Autopilot, apesar de ter negado inicialmente. Um engenheiro forense ouvido no processo disse que isso foi um problema, já que ligar a unidade disparou uma série de processos automáticos. A Tesla reconheceu que houve uma transmissão de informações durante a inspeção e retirou o testemunho do técnico.

Como o hacker conseguiu os dados?

Em 2024, após anos tentando obter as informações, os representantes legais do sobrevivente e da família da vítima fatal procuraram um hacker conhecido como “greentheonly”. Ele não revela sua identidade, mas é famoso no X por recuperar informações de carros batidos da Tesla.

A empresa chegou a procurar os autores da ação e propor que a unidade do Autopilot fosse ligada. O hacker se opôs veementemente. “Se eu quisesse destruir evidências em um computador, esse seria o conselho que eu daria”, disse ao Washington Post.

Com uma cópia forense da unidade de Autopilot e um laptop, o hacker conseguiu obter em alguns minutos os dados, enquanto tomava um café com os advogados. As informações davam detalhes do acidente e confirmavam a transmissão para os servidores da Tesla.

Como os dados ajudaram no processo?

Com os dados, foi possível recriar um vídeo do acidente. Ele mostrou que o Tesla tentou fazer um desvio e planejou uma rota que passava por onde o carro e as vítimas estavam, depois de uma intersecção em T — o certo seria virar à esquerda ou à direita, mas ele seguiu em frente.

Para os advogados do sobrevivente e da família, isso mostra que a direção autônoma falhou em reconhecer onde a pista terminava. O júri considerou que a Tesla tem 33% da responsabilidade pelo acidente e deve pagar US$ 243 milhões.

A empresa pretende recorrer, alegando “irregularidades no julgamento”. Mesmo assim, a sentença já foi citada em um novo processo movido por um acionista, que acusa a empresa de fraude ao promover sua tecnologia de direção autônoma.

Com informações do Washington Post

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